Máquinas no agro: Valor Geral de Vendas (VGV) teve avanço de 15%. Entre os itens mais procurados estão tratores agrícolas (51% das vendas), plantadeiras (16%) e colheitadeiras (13,5%). (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 08h01.
Última atualização em 28 de janeiro de 2026 às 09h51.
O mercado de máquinas e equipamentos agroindustriais usados fechou 2025 em expansão e deve manter o ritmo de crescimento ao longo de 2026. Segundo a Sold Leilões, empresa especializada em leilões, o número de certames ligados ao agronegócio cresceu 30% no último ano em relação a 2024 — movimento impulsionado pelos juros elevados e pela restrição de crédito ao produtor rural. Para este ano, a projeção é de um avanço de 20%.
O volume de ativos ofertados chegou a cerca de 11 mil unidades, alta de 10% sobre o ano anterior. Já o Valor Geral de Vendas (VGV) teve avanço de 15%. Entre os itens mais procurados estão tratores agrícolas (51% das vendas), plantadeiras (16%) e colheitadeiras (13,5%).
Segundo Ivo Mello, head de agroindústria da plataforma, fatores econômicos e operacionais explicam o aumento. “A alta da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, e a dificuldade de acesso ao crédito para máquinas novas levaram muitos produtores ao mercado de seminovos”, afirma.
Além do preço mais acessível, outro diferencial está na disponibilidade imediata dos equipamentos usados, o que facilita o início das operações da safra.
Para Mello, o início da safra e a reorganização de operações no agro e na bioenergia levaram grandes grupos a renovar frotas, liberando máquinas usadas em bom estado para o mercado.
“O leilão deixou de ser só uma ferramenta de desinvestimento e passou a ser estratégico para manter a frota jovem e o caixa saudável”, diz.
A perspectiva da plataforma para este ano é de um aumento de 20% nas vendas de usdados, um crescimento de dois dígitos que contrasta com a projeção para o setor de máquinas agrícolas no geral.
Segundo a Fenabrave — entidade que representa o setor —, a expectativa é de alta de 3,4% nas vendas em 2026, após um avanço de 10% registrado em 2025.
Segundo o executivo, empresas como Usina Colombo, Usaçúcar, ACP Bioenergia, Veracel Celulose, Mills Rental e Cargill já adotaram a desmobilização estratégica como parte dos seus planos de modernização.
A prática, explica Mello, consiste na venda de máquinas usadas para reforçar o caixa e garantir maior eficiência operacional no campo. O planejamento dessas desmobilizações tem se tornado mais técnico e antecipado, o que contribui para elevar o valor de revenda dos ativos e aumentar a liquidez do processo.
“Há uma mudança na visão das grandes usinas, que agora adotam um planejamento mais curto e programado para garantir alta desempenho em campo”, afirma Mello.
Além disso, a prática também ajuda a atender à forte demanda de pequenos e médios produtores, principais compradores nesse mercado.
Segundo a Sold, pessoas físicas representaram 86% das aquisições em 2025, com destaque para as regiões Sudeste (41,2%), Sul (29,1%) e Centro-Oeste (20,5%). Nordeste (6%) e Norte (3,2%) ainda têm participação menor, mas são vistos como mercados em expansão.
“Com os juros ainda elevados e a renovação das frotas em andamento, a demanda por ativos de segunda mão deve continuar forte”, diz Mello.