EXAME Agro

Nova colheitadeira que 'aprende' a colher é fabricada em Sorocaba para exportação global

Série lançada pela Case IH é capaz de se autorregular para melhorar a operação e funciona como um carro automático

Colheitadeira Axial-Flow Série 160 Automation, da Case IH (Divulgação)

Colheitadeira Axial-Flow Série 160 Automation, da Case IH (Divulgação)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 16 de abril de 2024 às 15h45.

SOROCABA, SÃO PAULO - A Case IH lançou nesta terça, 9, uma nova série de colheitadeiras que vem com sistemas de aprendizado de máquina, capazes de fazerem mais de 1.000 regulagens para aperfeiçoar o trabalho da colheita enquanto a máquina está em operação.

Os novos modelos, da série Axial-Flow Série 160 Automation, serão fabricadas em Sorocaba, interior de São Paulo, para exportação para todos os continentes, com destaque para Estados Unidos e Europa.

As colheitadeiras trazem sistemas que funcionam como um câmbio automático de carros. O condutor escolhe uma entre quatro opções e um software faz as configurações necessárias para operar no modo desejado.

O modelo tem quatro modos de operação automática: um mais rápido, para situações em que a colheita precisa ser acelerada, outro mais lento, que prioriza manter a qualidade dos grãos colhidos, sem quebras, e dois intermediários.

Com isso, a máquina faz 90% das operações sem que o condutor precise intervir, segundo a empresa. As decisões do sistema são baseadas nas informações de 12 sensores, como câmeras que avaliam o fluxo de grãos. O modelo pode ser conectado à internet para acompanhamento remoto, mas o sistema de regulagem funciona mesmo sem conexão.

"A máquina faz 1.800 regulagens sozinha por dia, algo que um operador não conseguiria fazer. Quanto mais ela colhe, melhor fica o sistema. Se ele tomou uma decisão que não foi boa, ele aprende com isso", diz Christian Gonzalez, vice-presidente da Case IH para a América Latina.

O modelo tem ainda um sistema de auto-alinhamento, que balanceia o fluxo de grãos nos filtros, para impedir entupimentos durante a colheita, por exemplo, quando há desníveis no solo da plantação, e traz uma cabine 10% maior do que a série anterior e climatizada com ar condicionado.

Investimento de R$ 100 milhões

O novo modelo será produzido na fábrica da Case em Sorocaba, no interior de São Paulo. que recebeu investimento de R$ 100 milhões para a criação da nova linha.

A fábrica tem capacidade total de produzir 3.600 máquinas por ano, sendo em torno de 1.500 do novo modelo. A unidade é a maior fabricante de colheitadeiras do grupo CNH Industrial no mundo.

A expectativa é que 50% da produção do novo modelo seja destinada à exportação, para aproveitar uma alta no mercado de colheitadeiras, apesar de alguns solavancos.

"Temos a maior produção dessa categoria nos últimos 15 anos. A nova série é um marco no caminho de não exportar só grãos, mas também de o Brasil exportar tecnologia no agro", diz Eduardo Domingues, vice-presidente de Manufatura da CNH, dona da marca Case, para a América Latina.

Acompanhe tudo sobre:CNH - Case New HollandMáquinas agrícolasExportaçõesAgronegócio

Mais de EXAME Agro

Safra 2024 alcançará 299,6 milhões de toneladas, 5,0% menor que a de 2023, diz IBGE

Governo vai subsidiar arroz importado por causa da chuva no RS. Saco de 5kg não passará de R$ 20

SP aumenta exportações de açúcar e café e agro tem superávit de US$ 7,5 bilhões na balança comercial

Exportação em abril de frango cresce 10% em volume, aponta ABPA

Mais na Exame