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Por que o mercado aposta na 3tentos entre as small caps — e no agro — em 2026

Santader elevou o preço-alvo das ações da empresa, enquanto o BTG vê a companhia como Top Pick do setor

3 Tentos: nova planta terá capacidade de processar 2,1 mil toneladas de milho por dia (3Tentos/Divulgação)

3 Tentos: nova planta terá capacidade de processar 2,1 mil toneladas de milho por dia (3Tentos/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 14h39.

Última atualização em 2 de janeiro de 2026 às 15h11.

A 3tentos — empresa que atua no varejo, na comercialização e na indústria de grãos — é a aposta do BTG Pactual e do Santander entre as small caps em 2026.

Em relatórios divulgados nesta sexta-feira, 2, as duas instituições reforçaram a atratividade da companhia para o ano: enquanto o Santander elevou o preço-alvo das ações, o BTG a classificou como sua Top Pick no setor agro, ou seja, como a principal escolha ou recomendação dentro do setor do agronegócio.

No caso do Santander, os analistas Rodrigo Crespi, Vitor Miziara e Matheus Piva revisaram o preço-alvo das ações de R$ 19,00 para R$ 20,00 (projeção para 2026) e mantiveram a recomendação de compra.

Em 2025, os papéis da companhia acumularam valorização de 23%, encerrando o ano cotados a R$ 16,33.

“Elevamos nossa estimativa de EBITDA para 2026 em 8%, para R$ 1,7 bilhão (12% acima do consenso), refletindo os preços mais baixos de commodities, embora com maiores volumes esperados em todas as divisões e o início das operações de etanol de milho previsto para o 1T26”, afirmaram.

Um dos pontos-chave para a valorização das ações, segundo o banco, é a entrega da nova planta no Pará, considerada um catalisador relevante para o crescimento da companhia. A unidade deve ampliar a capacidade produtiva e consolidar a presença da empresa em uma das regiões agrícolas mais estratégicas do país.

No início de dezembro, a 3tentos anunciou a aquisição da Grão Pará Bioenergia, voltada à produção de etanol de milho e DDG, coproduto do biocombustível. O investimento total está estimado em R$ 1,15 bilhão.

A planta terá capacidade para processar 2,1 mil toneladas de milho por dia, com produção de 935 m³ de etanol, 587 toneladas de DDGS e 37 toneladas de óleo.

A conclusão do projeto está prevista para o segundo semestre de 2028, ainda sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

BTG e a 3tentos

O BTG Pactual também manteve a 3tentos em sua carteira de small caps e destacou a companhia como uma das principais oportunidades do setor agro. O relatório é assinado pelos analistas Carlos Sequeira, Leonardo Correa, Antonio Junqueira, Osni Carfi e Bruno Henriques.

Para os analistas, trata-se de uma empresa de alta qualidade, alto crescimento e alto retorno.

Embora margens mais fracas tenham pressionado os lucros recentemente, o BTG acredita que o pior já ficou para trás, e projeta uma trajetória mais forte de resultados a partir de 2026 — impulsionada, entre outros fatores, pela nova planta de etanol de milho.

Do ponto de vista fundamentalista, as ações são consideradas descontadas: estão sendo negociadas a 9,5 vezes o preço/lucro estimado para 2026 e 7,3 vezes para 2027.

A projeção do banco é de um crescimento médio anual de lucro (CAGR) de aproximadamente 25% nos próximos três anos, com um retorno sobre o capital investido (ROIC ) acima de 20%.

A visão positiva sobre a companhia é compartilhada por outras instituições financeiras. Em dezembro, o BTG e o Itaú BBA também reforçaram sua confiança na 3tentos, após o Investor Day promovido pela empresa.

Em relatórios divulgados no início do mês passado, ambos os bancos foram unânimes ao afirmar que a empresa está bem posicionada para atravessar um ciclo mais fraco do agronegócio e acelerar seu crescimento nos próximos anos — as duas casas também mantiveram a recomendação de compra para os papéis.

Apesar da recomendação de compra e do tom otimista, o Santander alerta para riscos que podem afetar o desempenho da companhia.

Entre os principais, estão a normalização mais lenta do que o esperado das margens na divisão de varejo, custos de frete mais elevados, indefinição sobre um novo aumento na taxa de mistura de biodiesel e eventuais interrupções logísticas.

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