Repórter
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 21h07.
O governo dos Estados Unidos revisou suas diretrizes alimentares federais e agora recomenda o aumento no consumo de proteínas e a eliminação total de açúcares adicionados na dieta.
As novas orientações foram divulgadas nesta quarta-feira, 7 de janeiro, com foco nas políticas públicas de alimentação escolar e programas de assistência nutricional, informou o site norte-americano Financial Times.
O anúncio foi feito por autoridades federais, incluindo o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que reforçou o rompimento com as diretrizes anteriores, atualizadas tradicionalmente a cada cinco anos. Para Kennedy, a reformulação representa uma mudança histórica na política nutricional do país.
“Estas diretrizes substituem suposições influenciadas por interesses corporativos por metas de bom senso e integridade científica de alto padrão”, afirmou Kennedy em pronunciamento na Casa Branca, em Washington.
E acrescentou: “Elas revolucionarão a cultura alimentar de nossa nação e tornarão a América saudável novamente.”
A atualização propõe um novo patamar para a ingestão diária de proteínas: entre 1,2 e 1,6 gramas por quilograma de peso corporal – que representa um aumento em relação ao valor anterior de 0,8 gramas.
O Departamento de Saúde dos EUA (HHS, na sigla em inglês) afirmou que as recomendações anteriores priorizavam os carboidratos e ignoravam a importância das proteínas.
Outra mudança significativa é a orientação para eliminar completamente o consumo de açúcares adicionados e adoçantes artificiais, especialmente na alimentação de crianças até quatro anos. Antes, o limite sugerido era de até 10% das calorias diárias.
Embora as diretrizes não tenham caráter regulatório para o mercado varejista, elas influenciam políticas e práticas alimentares adotadas em escolas, hospitais e programas governamentais no país. Segundo Kennedy, os novos padrões impactam diretamente 45 milhões de refeições escolares diárias, além da alimentação de 1,3 milhão de militares da ativa e pacientes em hospitais para veteranos.
Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, afirmou em coletiva de imprensa que os recursos federais costumavam financiar alimentos ultraprocessados e de baixo valor nutricional. “O dinheiro federal anteriormente promovia alimentos de baixa qualidade e altamente processados que levam a inúmeros problemas de saúde a longo prazo”, disse.
A nova diretriz também desestimula o consumo de alimentos empacotados e processados – como refrigerantes, doces e bebidas energéticas –, geralmente encontrados em destaque nos supermercados. Esses produtos, fabricados por empresas como PepsiCo, General Mills e Mars, são conhecidos por oferecer margens de lucro mais elevadas aos varejistas.
Kennedy ainda acusou os governos anteriores de distorcerem as orientações nutricionais para preservar os interesses econômicos do setor. “Mentiram para o público para proteger os lucros corporativos”, criticou o secretário de Saúde.
No entanto, o setor alimentício reagiu às declarações. A Consumer Brands Association, entidade que representa grandes fabricantes de alimentos embalados, disse: “Os consumidores americanos continuam buscando uma seleção diversificada de alimentos e bebidas, e os fabricantes das marcas mais confiáveis dos lares americanos oferecem uma ampla variedade de produtos acessíveis, seguros e nutritivos”.
Por outro lado, a Sugar Association, que representa o setor de açúcar, criticou as novas metas. Courtney Gaine, diretora executiva da entidade, afirmou que as restrições quanto aos açúcares são “inconsistentes, irreais e sem respaldo científico”.
Mesmo assim, as novas diretrizes também retiram a recomendação anterior que limitava o consumo de álcool a uma ou duas doses diárias. Agora, o texto apenas sugere que os americanos reduzam a ingestão de bebidas alcoólicas, sem estabelecer parâmetros.
Mehmet Oz, chefe dos Centros de Serviços de Medicare e Medicaid, avaliou a mudança: “O álcool é um facilitador social que une as pessoas. Na melhor das hipóteses, não acho que se deva beber álcool... o álcool consta nessas diretrizes alimentares, mas a implicação é não consumi-lo no café da manhã.”