Geadas devem impactar safra de café, grãos e hortaliças: mais inflação?

Paraná deve ser estado mais castigado, mas frente fria deve atingir também Centro-Oeste e Sudeste, afetando a produção de alimentos; cenoura já subiu 180%
Geadas devem impactar safra de grãos, tomate, cenoura e outros alimentos: mais inflação? (Getty Images/Getty Images)
Geadas devem impactar safra de grãos, tomate, cenoura e outros alimentos: mais inflação? (Getty Images/Getty Images)
Por Carla AranhaPublicado em 16/05/2022 12:12 | Última atualização em 16/05/2022 13:22Tempo de Leitura: 4 min de leitura

A massa de ar polar que deve atingir o país nessa semana deve impactar negativamente a safra de milho, café e cana-de-açúcar, entre outras culturas, com a ocorrências de geadas nos principais estados produtores. A previsão de temperaturas ao redor de 3ºC em boa parte do Paraná durante essa semana e de umidade elevada compõe o cenário perfeito para a formação de gelo. O fenômeno também é esperado, embora de forma mais esparsa, em São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

“O mercado está agitado devido à expectativa de quebra de safra, especialmente do milho, café e cana, mas as geadas também devem afetar o plantio de hortaliças, tomate e cenoura, cujos preços já estão em alta”, diz Celso Oliveira, agrometeorologista da Climatempo.

A cenoura já acumula altas de quase 180% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE, seguida pelo tomate (108%) e hortaliças (45%). No caso das leguminosas e do tomate, o principal vilão do aumento de preços foram as chuvas intensas de janeiro. Quando há geada, a situação é ainda pior, já que muitas vezes ocorre a morte da planta.

Geadas prejudicam safra de milho

Em relação ao milho, o cenário também é preocupante. Uma seca prolongada na região Sul no início do ano frustrou as perspectivas de uma primeira safra recorde de grãos em estados como o Paraná. “Agora, com as geadas, deve haver algum impacto também na segunda safra”, diz Oliveira. Caso as condições climáticas adversas sejam menos intensas em Goiás e Mato Grosso do Sul, conforme a previsão, as culturas de grãos nesses locais deverão ser menos afetadas, ajudando a manter a expectativa de mais um ano promissor para a produção de milho e soja no país.

O resultado, no entanto, não deve ser muito superior ao obtido em 2021. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trabalha com estimativas relativas a uma colheita de 270,2 milhões de toneladas na safra 2021/22, o que representa um aumento de 0,3% em relação ao ciclo anterior.

Café mais caro?

A Conab já previa uma quebra de potencial da safra de café de cerca de 20% em Minas Gerais antes mesmo da chegada da nova frente fria, devido a intempéries climáticas de 2021, como secas do outono passado e geadas em julho. Ainda assim, a recuperação das lavouras de café, mediante investimentos dos produtores, deve proporcionar uma produção de 55,7 milhões de sacas, 16,8% a mais em comparação ao ano passado.

O café moído já vinha pressionado pelos problemas da safra passada e do aumento de custos em geral, em especial do combustível e do frete, que vem afetando os alimentos e bens de consumo – em abril, o reajuste acumulado dos últimos 12 meses chegou a 65%.

No mês passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 1,06%, a taxa mais alta registrada em abril desde 1996. Nos últimos 12 meses, a inflação bateu 12,13%, a maior desde outubro de 2003. O reajuste no preço dos alimentos, de 2%, exerceu o impacto mais significativo sobre o índice de abril. O aumento da gasolina, etanol e óleo diesel também vem pressionando os preços, impactando diversas cadeias produtivas. Na semana passada, o consumidor passou a pagar mais 3,2% pelo diesel nos postos de gasolina, após o último aumento da Petrobras, atingindo um recorde desde o início da série histórica da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, em 2004.

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