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Exportações de soja do Brasil para a China saltam 83% no 1º bimestre de 2026

Avanço brasileiro contrasta com queda dos EUA nos dois primeiros meses do ano

Colheita da soja em Mato Grosso: estado é um dos principais produtores de soja do Brasil (Alexis Prappas/Exame)

Colheita da soja em Mato Grosso: estado é um dos principais produtores de soja do Brasil (Alexis Prappas/Exame)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 20 de março de 2026 às 09h33.

As exportações de soja do Brasil para a China cresceram 83% nos dois primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, atingindo 6,5 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 20, pela Administração Geral de Alfândega (GACC) da China.

No período, os embarques dos Estados Unidos recuaram 84%, para 1,5 milhão de toneladas. A expectativa do governo de Donald Trump era de que os embarques americanos para o país asiático crescessem.

As tensões comerciais atrasaram as compras chinesas da safra de soja de outono dos EUA até o final de outubro; desde então, os compradores estatais adquiriram cerca de 12 milhões de toneladas métricas de soja americana.

Em novembro de 2025, como parte dos esforços para reverter a guerra tarifária entre os dois países, Pequim se comprometeu a ampliar a compra de soja americana.

Apesar do acerto, a China manteve, no ano passado, a preferência pelo produto brasileiro.

Segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil encerrou 2025 com exportações recordes de soja, totalizando 108 milhões de toneladas — alta de 11,7% em relação às 97 milhões de toneladas de 2024.

O país asiático permaneceu como o principal destino, respondendo por 87,1 milhões de toneladas — o equivalente a 80% de todo o volume exportado. Para este ano, a Anec estima que os embarques de soja brasileira para a China devem ficar em torno de 77 milhões de toneladas.

Para 2026, o Brasil deve renovar o recorde de exportação de soja, com embarques estimados em 114 milhões de toneladas, segundo projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

As dúvidas, no entanto, pairam sobre a questão fitossanitária no Brasil. Os comerciantes temem que os controles fitossanitários mais rigorosos do país e a demora na liberação alfandegária na China possam diminuir o ritmo de chegadas nos próximos meses.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou na terça-feira, 17, que o governo negociará os requisitos de inspeção e segurança da soja brasileira para os embarques destinados à China.

China e Trump

As atenções dos agricultores estão voltadas para o próximo encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, para esclarecer a futura demanda da China por soja americana.

Na quinta-feira, 19, Trump afirmou que sua viagem a Pequim foi adiada em cerca de um mês e meio.

Além do Brasil, as exportações da Argentina para a China em janeiro e fevereiro dispararam para 3,3 milhões de toneladas, ante 111,6 mil toneladas no ano anterior.

O aumento foi impulsionado em parte por uma onda de compras em setembro, após Buenos Aires ter abolido os impostos de exportação, as retenciones.

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