Carlos Fávaro Ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil: Segundo o ministro, o governo não promoveu qualquer flexibilização recente nas regras, contrariando informações divulgadas pela mídia. “Nenhuma regra foi alterada. Temos a obrigação legal de inspecionar”, disse. (Flickr / COP30 )
Publicado em 18 de março de 2026 às 15h37.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou nesta terça-feira, 17, que o Brasil irá negociar com a China os requisitos de inspeção e segurança para embarques de soja, após reclamações feitas por autoridades e compradores do país asiático.
Segundo o ministro, o governo não promoveu qualquer flexibilização recente nas regras, contrariando informações divulgadas pela mídia. “Nenhuma regra foi alterada. Temos a obrigação legal de inspecionar”, disse.
A China é o principal destino da soja brasileira e, em 2025, foram exportadas 87 milhões de toneladas, que geraram US$ 35 bilhões em receita, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O Brasil recebeu notificações após a identificação de sementes de ervas daninhas em algumas cargas e, diante disso, decidiu intensificar a fiscalização dos embarques de soja destinados ao país asiático.
A medida ocorre em meio à decisão da Cargill de suspender exportações para a China. A empresa atribuiu o movimento ao aumento do rigor nas inspeções fitossanitárias, que teria dificultado o cumprimento das exigências e a obtenção dos certificados necessários para embarque.
Sem esses documentos, os navios não podem descarregar no destino, o que levou ao redirecionamento de algumas cargas para outros mercados.
Na semana passada, Fávaro criticou a decisão da empresa e afirmou que não houve alteração nos procedimentos do Mapa. Segundo ele, se houvesse flexibilização, os embarques já estariam em curso.
O ministro também negou que o governo tenha transferido a inspeção para empresas privadas, como chegou a ser ventilado.
Ele reforçou que navios com pendências só receberão certificação caso atendam integralmente às exigências sanitárias impostas pela China, maior importadora global de soja.
O governo brasileiro enviará representantes à China na próxima semana para discutir um novo protocolo sanitário.
A missão inclui o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, e o secretário de Proteção Agropecuária, Carlos Goulart. O objetivo é alinhar as exigências de inspeção, garantir a continuidade das exportações de soja e preservar a operação da indústria brasileira, reduzindo riscos logísticos e comerciais.
Segundo Fávaro, a situação não configura embargo por parte da China. “Se houvesse intenção de suspender as compras, isso já teria ocorrido”, afirmou.