Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA: “Tive uma reunião com meu homólogo chinês aqui em Davos ontem à noite. (Fabrice COFFRINI/AFP)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 12h23.
Os Estados Unidos afirmaram nesta segunda-feira, 19, que a China deve comprar 25 milhões de toneladas de soja americana em 2026. A declaração foi feita por Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, durante participação no Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos.
“Tive uma reunião com meu homólogo chinês aqui em Davos ontem à noite. Ele me disse que, nesta semana, eles concluíram suas compras de soja e que estamos ansiosos pelas 25 milhões de toneladas do próximo ano”, disse Bessent.
Se confirmado, o volume representa um retorno à média histórica de embarques dos EUA para a China nos últimos anos. A exceção foi em 2025, quando as exportações de soja americana ao país asiático recuaram para 12 milhões de toneladas, reflexo direto da guerra tarifária iniciada por Donald Trump.
Tradicionalmente, a China abastece seu mercado com cerca de 75% de soja brasileira e o restante com produto americano.
Em 2025, as exportações brasileiras de soja para a China somaram aproximadamente 90 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). Para 2026, a entidade projeta embarques de cerca de 77 milhões de toneladas ao mercado chinês.
A sinalização do governo do presidente Donald Trump ocorre em um momento em que agricultores americanos de soja intensificam a pressão por apoio no Congresso.
Nesta segunda, entidades como a Federação Americana de Escritórios Agrícolas (American Farm Bureau Federation) e a Associação Americana de Soja (American Soybean Association) enviaram uma carta solicitando apoio econômico adicional para compensar perdas ainda não cobertas.
A mobilização vem após o anúncio, em dezembro, de um pacote emergencial de US$ 12 bilhões pelo governo Trump, para mitigar os prejuízos sofridos pelo setor agrícola.
“Esses fundos podem representar um primeiro passo significativo, mas não cobrem as perdas extensas e cumulativas que os agricultores absorveram nos últimos anos”, afirma o texto da carta.
Os recursos estão sendo distribuídos com valores específicos por produto, e US$ 1 bilhão foi reservado exclusivamente para produtores de culturas especiais, diz o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Para a Associação Americana de Soja, o valor destinado ao setor não é suficiente para cobrir os prejuízos significativos registrados neste ano, causados pelos altos custos de produção e pelos efeitos prolongados da guerra comercial com a China.
O Brasil deve renovar o recorde de exportação de soja em 2026, com embarques estimados em 114 milhões de toneladas, segundo projeção do USDA, divulgada na segunda-feira passada, 12.
A estimativa anterior, feita em dezembro, apontava para 112 milhões de toneladas — ou seja, uma elevação de 2 milhões de toneladas, mesmo diante do recente acordo comercial entre Estados Unidos e China.
Em novembro de 2025, como parte dos esforços para reverter a guerra tarifária entre os dois países, Pequim se comprometeu a ampliar a compra de soja americana.
Apesar do acerto, a China manteve, no ano passado, a preferência pelo produto brasileiro. Segundo a Anec, o Brasil encerrou 2025 com exportações recordes de soja, totalizando 108 milhões de toneladas — alta de 11,7% em relação às 97 milhões de toneladas de 2024.
O USDA manteve o tom de otimismo em relação à produção de soja no Brasil na safra 2025/26. O órgão elevou sua estimativa de 175 para 178 milhões de toneladas, volume superior às 171,5 milhões de toneladas colhidas na temporada 2024/25.
A projeção está levemente acima das estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que, em dezembro, reduziu sua previsão para a safra 2025/26, de 177,8 milhões para 177,1 milhões de toneladas.