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Macron apoia eliminação de vinhedos para driblar crise do vinho na França

Setor também encara os efeitos do aumento das tarifas para bebidas alcoólicas da Europa estabelecidas pelos Estados Unidos

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 19h39.

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O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou na segunda-feira, 9, que será necessário eliminar parte das plantações de uvas como forma de estimular o setor vinícola, que atravessa um período de crise no país.

O segmento enfrenta uma situação de superprodução, resultado da queda na demanda associada a mudanças nos padrões de consumo, ao aumento da concorrência e a obstáculos nas exportações.

Durante uma visita à feira Wine Paris, Macron afirmou aos produtores que a atividade integra o "estilo de vida francês", mas ressaltou a necessidade de adotar medidas para reestruturar o setor.

Uma das estratégias já em curso é o novo fundo do governo, no valor de 130 milhões de euros (R$ 804,1 milhões), iniciado na sexta-feira. O programa concede subsídios a produtores afetados por perdas financeiras para que possam remover suas vinhas.

"É preciso fazer isso... para que os demais (produtores) preservem seu valor", afirmou Macron.

As ações se concentram principalmente nas regiões produtoras de vinhos tintos de menor valor no sudoeste do país, como Bordeaux e Languedoc.

Nos anos anteriores, como resposta ao excedente de vinho, o governo francês também promoveu sua destilação em álcool etílico, com posterior uso industrial.

A organização setorial CNAOC estimou, em setembro, que o país apresenta um excedente de cerca de 100 mil hectares. Do total, aproximadamente 50 mil hectares já foram desativados, e outros 30 mil devem ser abrangidos pelo novo fundo.

Desafios com as tarifas dos EUA

Outro fator que afeta a competitividade dos vinhos franceses é a elevação de tarifas sobre bebidas alcoólicas da Europa, estabelecida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com alíquotas de 10% e, posteriormente, 15%, a partir de 2025.

Dados da alfândega francesa apontam que as exportações de bebidas para os EUA — principal destino internacional do vinho francês — recuaram 20% no último ano, totalizando 3,2 bilhões de euros (R$ 19,79 bilhões).

(Com informações da agência AFP)

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