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Com arroz em baixa, Camil aposta alto em 2026 — e o mercado compra a ideia

Mesmo com os preços do arroz ainda em queda, o ano deve marcar uma recuperação nos resultados operacionais e no lucro da empresa, diz o BTG e o Santander

Camil: BTG mantém recomendação de compra para o papel da Camil, com preço-alvo de R$ 10,00 — potencial de valorização de 68,4% frente à cotação atual (Germano Lüders/Exame)

Camil: BTG mantém recomendação de compra para o papel da Camil, com preço-alvo de R$ 10,00 — potencial de valorização de 68,4% frente à cotação atual (Germano Lüders/Exame)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 06h01.

Com o ciclo de commodities ainda em fase de reequilíbrio, a Camil Alimentos inicia 2026 mirando a expansão das margens, a diversificação internacional e o crescimento de categorias de maior valor agregado.

Mesmo com os preços do arroz — carro-chefe da companhia — ainda em queda, o ano deve marcar uma recuperação nos resultados operacionais e no lucro da empresa. Essa é a avaliação do BTG Pactual e do Santander, em relatórios divulgados nesta quinta-feira, 15.

A baixa no preço do arroz ocorre em um cenário desafiador. A estimativa da Conab é de uma queda de 13% na produção neste ano, para 11,1 milhões de toneladas, em razão dos preços praticados no mercado internacional em 2025, o que desestimulou os produtores a plantar em 2026.

Para o BTG, o lucro líquido da companhia deve alcançar R$ 324 milhões neste ano, alta de 37% em relação a 2025. O EBITDA projetado é de R$ 987 milhões, com margem de 8,6%, levemente acima dos 8,3% estimados para o ano anterior.

“Os resultados operacionais estão melhorando e devem ganhar fôlego à medida que o cenário de preços se normalize”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Gutilla. O banco mantém recomendação de compra para o papel da Camil, com preço-alvo de R$ 10,00 — potencial de valorização de 68,4% frente à cotação atual.

O Santander, por sua vez, também vê fundamentos mais sólidos na empresa após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre fiscal de 2025 (encerrado em novembro).

A Camil reportou receita líquida de R$ 3 bilhões, queda de 5% na comparação anual, mas acima das expectativas. O EBITDA ajustado cresceu 31% e alcançou R$ 236 milhões, com margem de 8%.

“A performance operacional, especialmente nas categorias de maior valor agregado, reforça o plano estratégico da companhia para 2026”, destacam os analistas Laura Hirata e Guilherme Palhares, do Santander.

Para os analistas, principal alavanca de crescimento da Camil está no portfólio de produtos premium, como grãos especiais, conservas, massas e café.

Segundo o BTG, o segmento cresceu 23% em volume no terceiro trimestre, ficando 17% acima das estimativas do banco.

O desempenho foi fundamental para compensar a fraqueza no segmento de alto giro, impactado pela queda de 49% nos preços do arroz, o que reduziu a receita, mesmo com aumento de volume.

A aposta no Paraguai

Outro pilar da estratégia para 2026 é a expansão internacional, que ganhou força com a compra da Villa Oliva, no Paraguai. A operação já está incorporada ao balanço e deve contribuir com cerca de 25 mil toneladas por trimestre e entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões por ano em receita.

A nova planta se soma às operações no Uruguai, Chile e Peru, fortalecendo a presença da Camil na América do Sul. No trimestre, o segmento internacional gerou R$ 876 milhões em receita, alta de 13,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Os volumes cresceram mesmo com preços mais fracos e aumento de despesas administrativas, especialmente no Uruguai e com a integração da estrutura paraguaia”, afirmam os analistas do Santander.

Apesar da melhora nos indicadores operacionais, a empresa ainda opera com alavancagem elevada. No período analisado, a dívida líquida aumentou R$ 436 milhões, reflexo do consumo de R$ 222 milhões em capital de giro, típico do período de formação de estoques de arroz.

A relação dívida líquida/EBITDA chegou a 4,8 vezes, mas segue dentro do limite estabelecido pelos covenants (4,5x ao fim do quarto trimestre fiscal).

O BTG projeta uma redução para 3,1x até o fim do ano, acompanhada de recuperação do caixa e estabilização dos custos financeiros. “O movimento é sazonal e deve se reverter com a liberação do capital de giro nos próximos trimestres”, afirma.

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