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Governo rebate Cargill após suspensão de exportações de soja à China

Na quarta-feira, 12, o presidente da empresa no Brasil afirmou que a trading suspendeu embarques do grão para o país asiático por causa das mudanças na inspeção fitossanitária conduzida pelo governo brasileiro

Colheita de soja: esmagamento de soja é o processo industrial em que o grão é triturado para a extração de seus principais derivados, como o óleo e o farelo. (Freepik)

Colheita de soja: esmagamento de soja é o processo industrial em que o grão é triturado para a extração de seus principais derivados, como o óleo e o farelo. (Freepik)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 12 de março de 2026 às 17h50.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), criticou nesta quinta-feira, 12, a decisão da Cargill de suspender as operações de exportação de soja brasileira para a China. Segundo ele, a empresa foi incorreta ao atribuir a medida a mudanças nos procedimentos do Ministério da Agricultura.

“Primeiro que eu não gostei da postura da Cargill quando começa dizendo que o Ministério da Agricultura muda os procedimentos. Isso é mentira”, afirmou o ministro em entrevista à CNN.

“A empresa sabe muito bem que há algum tempo o governo chinês reclama de que algumas cargas de soja brasileira chegam sem o cumprimento do protocolo”, acrescentou.

Na quarta-feira, 12, o presidente da Cargill no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, afirmou à Reuters que a companhia suspendeu as exportações de soja brasileira para a China em função das mudanças na inspeção fitossanitária conduzida pelo governo brasileiro.

Segundo ele, o Mapa passou a adotar uma fiscalização mais rigorosa para cargas destinadas ao país asiático, após solicitações do governo chinês. Dessa forma, a nova inspeção estaria dificultando o cumprimento das normas pelos comerciantes e a obtenção da autorização para embarque do produto.

Sousa afirmou ainda que o novo sistema de fiscalização é incomum no mercado de grãos. De acordo com ele, o ministério passou a realizar sua própria amostragem das cargas, em vez de utilizar o modelo padrão adotado pelo mercado.

Sem os certificados sanitários emitidos após a inspeção, os navios não podem descarregar a carga na China. Como consequência, alguns embarques que tinham o país asiático como destino tiveram que ser redirecionados para outros mercados.

“Se não resolver logo, vai levar à paralisação dos embarques para a China”, disse Sousa nos bastidores da Argentina Week 2026, conferência organizada pelo Bank of America em Nova York.

Segundo ele, a Cargill suspendeu novas operações de compra de soja no Brasil desde a última sexta-feira, 6, diante das dificuldades para enviar o produto ao principal comprador global da oleaginosa.

A China é o principal destino da soja brasileira. Em 2024, o Brasil exportou 87 milhões de toneladas da oleaginosa para o país, gerando US$ 35 bilhões em receita, segundo o Mapa.

Soja na China

Para Carlos Cogo, da Cogo Consultoria, o episódio reflete um endurecimento recente nas inspeções fitossanitárias conduzidas pelo Ministério da Agricultura.

Para ele, a intensificação da fiscalização teria sido adotada como resposta a notificações feitas pelas autoridades sanitárias chinesas nos últimos meses sobre inconformidades detectadas em cargas brasileiras.

Para a safra 2025/26, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta exportações totais de 114 milhões de toneladas, das quais pouco mais de 75 milhões de toneladas devem ter a China como destino.

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Anec informaram que acompanham com atenção e preocupação os desdobramentos relacionados aos embarques de soja para o mercado chinês.

As entidades afirmaram que mantêm diálogo com autoridades e representantes da cadeia produtiva para buscar soluções que garantam a fluidez do comércio, a previsibilidade das operações e o cumprimento dos requisitos fitossanitários exigidos pelo mercado internacional.

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