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Até 2030, Volvo quer que agro represente 30% das vendas e aposta em máquinas elétricas no Brasil

Empresa já prepara uma nova rodada de aportes no país, ainda em fase de avaliação e deverá ser anunciada em breve

 (VOLVO CE/Divulgação)

(VOLVO CE/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 6 de maio de 2025 às 06h02.

Última atualização em 6 de maio de 2025 às 14h29.

RIBEIRÃO PRETO* A Volvo CE quer aumentar o espaço do agronegócio brasileiro nas suas vendas até 2030. Hoje, o segmento agrícola representa 25% das vendas da companhia no país e, até o final da década, deve atingir 30%.

Segundo Luiz Marcelo Daniel, presidente da Volvo CE na América Latina, a estratégia de crescimento da empresa será baseada em novas tecnologias, com destaque para máquinas elétricas voltadas a atividades rurais com necessidades específicas, como a piscicultura, a apicultura e o cultivo de cacau.

“A meta é de que 35% de nossas vendas globais sejam de máquinas elétricas até 2030. O Brasil é uma superpotência no agro e hoje cerca de 25% dos nossos volumes de pás-carregadeiras e escavadeiras se destinam ao segmento agrícola. Temos alto potencial de crescimento nesse setor”, afirma o executivo.

Em 2024, as vendas globais da Volvo somaram R$ 309 bilhões. A empresa registrou um lucro operacional de R$ 39 bilhões. Para Gilson Capato, diretor comercial da Volvo, 2025 marca o fim de um ciclo de investimentos de R$ 1,5 bilhão realizado nos últimos cinco anos.

A companhia já prepara uma nova rodada de aportes, ainda em fase de avaliação e deverá ser anunciada em breve.

Na visão da montadora, os benefícios operacionais e ambientais desses equipamentos elétricos podem acelerar sua adoção no campo, justamente em um momento de incerteza global e aumento de custos para o agricultor — o que torna as margens cada vez mais apertadas.

“Esses equipamentos estão trazendo uma redução de 90% no custo com combustível e 30% na manutenção”, diz Capato. Segundo o executivo, em propriedades com geração própria de energia solar, o custo de abastecimento dessas máquinas pode chegar a zero.

Além disso, as máquinas funcionam praticamente sem ruído, o que permite seu uso em ambientes antes inviáveis para motores a combustão, como a apicultura. “O fato de utilizar uma máquina que praticamente não tem ruído já diminui muito o risco da abelha se estressar”, diz.

"Para o ano completo de 2024, as vendas líquidas totalizaram SEK 526,8 bilhões (552,3) e o lucro operacional ajustado foi de SEK 65,7 bilhões (78,2), com uma margem operacional ajustada de 12,5% (14,0). O retorno sobre o capital empregado nas Operações Industriais foi forte, atingindo 35,8% (36,7).

Desafios da eletrificação

Apesar de a tecnologia elétrica ser uma tendência global, o desafio continua sendo a infraestrutura, afirma Capato. Segundo o executivo, o Brasil carece de pontos de conexão adequados para suportar o uso crescente de equipamentos elétricos no campo.

Atualmente, há cerca de 10 mil pontos de recarga no país, com a expectativa de que esse número dobre até o fim de 2025, alcançando 20 mil postos, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). No entanto, a distribuição desses pontos é desigual, com maior concentração nas regiões Sudeste e Sul — especialmente no estado de São Paulo.

O executivo acredita que, embora exista um custo inicial de adaptação, as empresas estão abertas ao investimento necessário para adotar essa tecnologia, principalmente em um contexto de sustentabilidade.

“Mesmo abertas a investir, ainda há a necessidade de pontos de conexão adequados, como instalações com pelo menos 380 volts para carregar as máquinas”, diz o diretor da Volvo.

Segundo a companhia, os primeiros testes realizados no Brasil comprovaram que as máquinas elétricas têm operação mais rápida do que as equivalentes a diesel, o que traz vantagens importantes, como maior eficiência energética e zero emissões durante o uso.

Mesmo com juros elevados e certo receio entre produtores em assumir novas dívidas, Capato não enxerga um cenário pessimista. Segundo ele, a Volvo oferece linhas subsidiadas por meio de sua financeira, a VFS (Volvo Financial Services), o que ameniza a preocupação com as incertezas.

Capato afirma que a companhia tem novos projetos em desenvolvimento, mas busca, antes de tudo, consolidar sua presença no mercado brasileiro.

*O repórter viajou a convite da Bayer.

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