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A aposta da Beckhauser no ciclo pecuário — e na Argentina — para crescer 20% em 2025

"Pretendemos surfar a onda de expansão do mercado de exportação de carne bovina", afirma Mariana Beckheuser, CEO da companhia

Mariana Beckheuser: "A Argentina é um mercado com grande potencial", diz a CEO (Beckhauser/Divulgação)

Mariana Beckheuser: "A Argentina é um mercado com grande potencial", diz a CEO (Beckhauser/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 3 de junho de 2025 às 14h17.

Última atualização em 3 de junho de 2025 às 14h41.

Na visão de alguns analistas, o ciclo pecuário 2024/25 — que compreende todo o processo de criação do gado, desde o nascimento do bezerro até o abate do animal adulto — deve ser marcado pela recuperação da pecuária de corte e pela expectativa de um novo ciclo de alta em 2025. É neste crescimento que aposta a Beckhauser, empresa brasileira que produz e desenvolve máquinas e equipamentos automatizados para a pecuária.

Fundada há 55 anos no Paraná e hoje liderada por Mariana Beckheuser, a companhia registrou um faturamento de R$ 42 milhões em 2024, uma queda de 6% em relação a 2023.

O resultado do ano passado refletiu os desafios do ciclo pecuário, além de um incêndio em parte da fábrica da Beckhauser, que atingiu a área de tratamento de metais e interrompeu o fluxo produtivo da empresa. Para 2025, diz a CEO, a expectativa é de um crescimento de 20%. “Pretendemos surfar a onda de expansão do mercado de exportação de carne bovina”, diz.

O otimismo da executiva é respaldado pelos dados: em 2024, as exportações de carne bovina do Brasil cresceram 26%, atingindo 2,89 milhões de toneladas — um recorde.

Para 2025, a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta para 3,75 milhões de toneladas.

Segundo a CEO, cerca de 85% do faturamento da empresa vem da linha de equipamentos para fazendas, enquanto a linha frigorífica representa 15%.

Ela destaca que a linha frigorífica cresceu cinco vezes em volume em comparação a 2023, impulsionada pela habilitação de novas plantas para exportação e pela adoção de normas ergonômicas.

Neste ano, o Vietnã anunciou a abertura do mercado para a carne bovina brasileira. Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Japão, Turquia e Coreia do Sul também estão em tratativas para comprar a proteína — juntos, esses quatro países representam 30% da demanda global por carne bovina.

A empresa também deve lança uma nova unidade fabril dedicada exclusivamente à linha frigorífica, prevista para entrar em operação ainda neste ano.

A decisão, aprovada pelo conselho da empresa, reflete a complexidade e especificidade dos produtos desse segmento, que exigem processos de tratamento e pintura diferenciados e atendem a demandas e volumes distintos da linha campo, reforça a CEO.

Expansão internacional

Para 2025, a CEO da Beckhauser afirma que a empresa prepara um plano de expansão internacional. Presente no Paraguai há mais de 10 anos, a companhia aposta na recuperação do agronegócio argentino, que possui um rebanho equivalente a um quarto do brasileiro.

“A Argentina é um mercado com grande potencial. Diferentemente do Brasil, lá existem apenas duas empresas do segmento que produzem equipamentos em aço — o restante ainda utiliza produtos mais rústicos, de madeira. No campo, o uso de equipamentos em aço é algo relativamente novo para eles”, diz.

A Beckhauser já atua na Argentina e, há três anos, é a marca oficial da pesagem na feira de Palermo, a principal feira rural do país. Essa pesagem é parte fundamental das avaliações genéticas realizadas durante as exposições agropecuárias, que funcionam como desfiles técnicos de raças, onde os animais são avaliados por peso, perímetro, tamanho do escroto e outras medidas.

A aposta na Argentina acompanha as recentes medidas econômicas do governo de Javier Milei. “Tínhamos vendas, mas não conseguíamos atender completamente a demanda devido a restrições. No ano passado, essas limitações foram flexibilizadas, abrindo caminho para o crescimento”, afirma a CEO.

Além da Argentina, a empresa projeta ampliar sua atuação para Colômbia, Uruguai e México.

A expansão, segundo Beckhauser, depende do aumento da produtividade. “Estamos trabalhando com uma consultoria de processo fabril para ampliar a capacidade da fábrica, preparando um salto de 30% na produtividade”, revela.

Também está nos planos o lançamento de uma linha específica de equipamentos para pequenos produtores, um nicho ainda inexplorado que deve impulsionar o crescimento da linha campo para mais de 25%.

Entre os diferenciais da empresa, destaca-se o desenvolvimento da linha BackSafe, que reforça o compromisso com o bem-estar animal e a sustentabilidade — valores que a executiva considera essenciais para o futuro da pecuária brasileira, especialmente no ano da COP 30 no Brasil.

“Nossa trajetória trabalhando com bem-estar animal e inovação nos posiciona como referência no setor, tanto na indústria quanto no campo”, diz.

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