Ciência

Veneno da mamba negra é analgésico forte como morfina

O veneno desta cobra contém péptidos que os pesquisadores batizaram como "mambalgins" e que, injetado em ratos, produzem uma analgesia tão forte como a morfina


	Corredor de hospital: compreender o funcionamento destes canais é "essencial" para o desenvolvimento de novos e melhores analgésicos
 (sxc.hu)

Corredor de hospital: compreender o funcionamento destes canais é "essencial" para o desenvolvimento de novos e melhores analgésicos (sxc.hu)

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Da Redação

Publicado em 3 de outubro de 2012 às 17h28.

Londres - O veneno da mamba negra, a serpente mais venenosa da África, poderia ser utilizado como um analgésico tão potente quanto à morfina, mas sem seus efeitos colaterais, segundo publica nesta quarta-feira a revista científica "Nature".

O veneno desta cobra contém péptidos que os pesquisadores batizaram como "mambalgins" e que, injetado em ratos, produzem uma analgesia tão forte como a morfina.

No entanto, estes roedores não sofreram alguns dos efeitos adversos mais comuns da morfina, como as dificuldades respiratórias, segundo explicou a pesquisadora e autora principal do artigo, Anne Baron, do Institut de Pharmacologie Moléculaire et Cellulaire de Valbonne, na França.

"Os efeitos analgésicos destes péptidos são tão fortes como os da morfina, mas como não afetam os receptores dos opioides, estão desprovidos de seus efeitos colaterais", detalhou Anne Baron.

Por este mesmo motivo, a pesquisadora espera que esta substância não gere dependência nos ratos, mas este aspecto ainda precisa ser confirmado.

Pesquisas anteriores haviam concluído que as toxinas de certas serpentes podem aliviar a dor ao inibir a produção de uma série de proteínas conhecidas como canais iônicos sensíveis ao ácido, que se encontram no sistema nervoso central e periférico e que desempenham um papel fundamental nos estados de dor persistente.

Compreender o funcionamento destes canais é "essencial" para o desenvolvimento de novos e melhores analgésicos, acrescentou a pesquisadora.

Anne Baron ressaltou que estas toxinas são "potentes e naturais" e "apontam para novos e promissores objetivos aos quais dirigir os tratamentos contra a dor". 

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