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Trump considera destinar US$ 2 bilhões do Chips Act para financiar setor de terras raras

Proposta visa reduzir a dependência dos EUA de minerais controlados pela China, com foco em fortalecer a produção interna e a indústria doméstica

Donald Trump: presidente dos EUA

Donald Trump: presidente dos EUA

Publicado em 22 de agosto de 2025 às 10h10.

Última atualização em 22 de agosto de 2025 às 10h50.

A administração Trump está considerando redirecionar ao menos US$ 2 bilhões do Chips Act (Lei de Semicondutores e Ciência) para financiar projetos relacionados a minerais críticos, com o objetivo de reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China, segundo a Reuters.

Esse movimento visa, ainda, ampliar a influência do secretário de Comércio, Howard Lutnick, no setor estratégico de minerais, com foco na produção nacional e no fortalecimento da competitividade do país.

Sancionado em 2022 durante o governo Biden, o Chips Act destina parte dos US$ 52,7 bilhões para pesquisa e produção de semicondutores, mas a nova proposta quer expandir o escopo, incluindo recursos para minerais essenciais como gálio e germânio, cujo controle vem sendo cada vez mais reforçado pela China.

Realocar fundos permitiria ao governo financiar empresas de mineração, processamento e reciclagem, setores que precisam de apoio para atender à crescente demanda interna.

Especialistas ouvidos pela Reuters apontam que, com o apoio governamental, empresas como a Albemarle — maior produtora mundial de lítio — poderiam retomar projetos estagnados, como a construção de refinarias nos EUA. No entanto, ainda não está claro se os fundos serão usados para concessões ou participação acionária em empresas de mineração.

Essa proposta surgiu após o recente investimento de US$ 400 milhões do Pentágono na MP Materials, uma empresa de terras raras. A operação, que coloca o órgão governamental como principal acionista, altera a abordagem tradicional de interação entre o setor público e a indústria privada e gerou confusão acerca da estratégia do governo dos EUA.

A proposta de centralizar a estratégia sob a liderança de Lutnick visa coordenar a alocação de recursos no setor de minerais críticos, especialmente após o investimento do Pentágono. No entanto, a iniciativa ainda precisa de aprovação no Congresso e está em processo de discussão interna.

Investimento na Intel

A administração Trump também considera utilizar recursos do CHIPS Act para adquirir participação acionária em empresas de semicondutores, como a Intel. A medida tem como objetivo acelerar a produção nacional de chips e fortalecer a indústria dos EUA frente à crescente concorrência internacional.

Além da possível intervenção governamental, a Intel também receberá investimentos de US$ 2 bilhões do Softbank. Mesmo assim, o futuro da empresa, que registrou uma perda de US$ 2,9 bilhões no segundo trimestre, permanece incerto.

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