Guilherme Guimarães: fundador e CEO da Deu Lance
Repórter
Publicado em 11 de abril de 2026 às 10h00.
Última atualização em 11 de abril de 2026 às 11h38.
Quem já tentou comprar um imóvel em leilão conhece o roteiro: dezenas de sites abertos ao mesmo tempo, detalhes em páginas pouco amigáveis, linguagem jurídica travada e a sensação constante de que alguma informação importante pode ter ficado para trás. É nesse labirinto que a startup Deu Lance quer entrar, com a proposta de organizar um mercado que pode movimentar até R$ 250 bilhões no Brasil.
A empresa passou a integrar o portfólio da Aleve LegalTech Ventures, a única venture builder 100% dedicada a legaltechs no Brasil — segmento das startups que usam tecnologia para resolver gargalos do setor jurídico. O segmento de legaltechs vive um ciclo de expansão global: o mercado foi avaliado em US$ 29,6 bilhões em 2024 e deve atingir US$ 68 bilhões até 2034, segundo a Future Market Insights. Perto de comemorar um ano de existência, a plataforma reúne dados de mais de 200 leiloeiros, profissionais autorizados a conduzir vendas públicas de bens, e tenta simplificar um processo que, até aqui, segue pouco amigável para o investidor comum.
A aposta da companhia parte de um mercado ainda pulverizado, mas em expansão acelerada. Dados da Caixa Econômica Federal mostram que o número de imóveis em leilão saltou de cerca de 7.700, em 2022, para mais de 25.500 em 2024, crescimento de 228%. No consolidado do ano, o volume de leilões avançou 86% em relação a 2023, com 16 mil propriedades ofertadas segundo a plataforma Superbid Exchange. Segundo Guilherme Guimarães Vieira, fundador e CEO da Deu Lance, esse volume representaria só 12% do potencial estimado do setor, o que dá a dimensão do espaço que a empresa enxerga para crescer.
A leitura da startup é que o problema não está só na oferta, mas no acesso. Hoje, oportunidades estão espalhadas por centenas de páginas, muitas delas com informações difíceis de interpretar para quem não domina o vocabulário técnico do setor. Em paralelo, há um obstáculo adicional: a circulação de sites falsos, que aumentam a insegurança num mercado já cercado de cautela.
É nesse ponto que a Deu Lance tenta se posicionar. A plataforma monitora leilões 24 horas por dia e entrega ao usuário um feed filtrado por preferências como cidade, estado, faixa de preço e tipo de imóvel. A ideia é tornar mais legível um universo que, para boa parte do público, ainda parece feito para especialistas.
Além da busca por escala, a entrada no ecossistema da Aleve representa uma tentativa de dar mais musculatura à operação. A Aleve reúne 12 empresas avaliadas em mais de R$ 180 milhões e oferece estrutura em governança, compliance, conformidade com leis e normas, tecnologia, jurídico, captação de recursos e processos de fusões e aquisições (M&A). O portfólio já inclui soluções que utilizam IA, blockchain, automação e análise preditiva aplicadas ao Direito.
Segundo Vieira, o apoio da Aleve tem ajudado principalmente na estruturação do negócio e na montagem da equipe, etapa considerada decisiva para uma startup que ainda opera com quadro enxuto. A avaliação é que, para crescer num mercado sensível como o de leilões, não basta agregar anúncios: é preciso combinar triagem de dados, respaldo jurídico e capacidade de execução.
Para Priscila de Oliveira Spadinger, cofundadora e CEO da Aleve LegalTech Ventures, a Deu Lance atua num ponto crítico do setor imobiliário. Na avaliação dela, o segmento de leilões ainda carece de organização e pode ganhar eficiência ao conectar investidores e construtoras a oportunidades concretas por meio de tecnologia e inteligência jurídica.
O cadastro na plataforma é gratuito, e a empresa afirma acompanhar o usuário também depois da escolha do ativo, com análise jurídica completa e suporte durante o processo de compra. A ambição da startup é transformar um mercado técnico, espalhado e pouco transparente em uma experiência mais simples de entender — e, por isso mesmo, mais fácil de escalar.