Tecnologia

São Paulo anuncia plano de R$ 8,2 milhões para impulsionar setor de games e atrair produção global

Iniciativa quer transformar o estado em referência internacional com fomento, qualificação e apoio à exportação

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 21 de julho de 2025 às 10h36.

Última atualização em 21 de julho de 2025 às 10h38.

A indústria brasileira de jogos digitais ganhou nesta segunda-feira, 21, um novo impulso: o governo de São Paulo anunciou um plano estratégico com R$ 8,2 milhões em editais para fomentar o setor, mirando desde estúdios independentes até empresas com ambição internacional.

A iniciativa inclui ações de capacitação, desenvolvimento tecnológico com foco em inteligência artificial e realidade estendida, além da estruturação de uma política pública de governança para o setor.

Sob liderança da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, o plano é resultado de articulação com entidades como a Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Digitais), ACJOGOS-SP e XRBR.

A ideia é posicionar São Paulo como referência em políticas para o setor, que hoje responde por mais da metade do faturamento da indústria nacional e reúne a maior concentração de estúdios do país — muitos deles sediados na capital.

“A gente sabe, com dados do Sebrae e da Abragames, que 90% da base do setor no país é formada por micro e pequenas empresas. Esse plano não só reconhece isso como estrutura mecanismos específicos para atender diferentes estágios de maturidade dessas produtoras”, afirma Rodrigo Terra, diretor da Abragames.

A arquitetura dos editais foi pensada para refletir essa diversidade. Há recursos voltados a quem está desenvolvendo seu primeiro jogo, e também linhas para empresas em fase de tração, que buscam escalar produtos, lançar jogos no mercado internacional e negociar com distribuidoras como Steam ou Epic Games.

 

Ensino, internacionalização e empreendedorismo criativo

Além do financiamento, o plano estadual sinaliza mudanças estruturais: a capacitação de mão de obra aparece como prioridade. Atualmente, segundo dados da Abragames, apenas 1% dos cursos voltados à área de games no país estão no ensino público. O restante está concentrado em instituições privadas, muitas com mensalidades altas e baixa inserção dos alunos no mercado.

A secretária Marilia Marton, que comanda a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, defende que a formação técnica mais ágil, como cursos de curta duração integrados a programas públicos, é uma saída mais eficaz para responder à demanda imediata do setor. Rodrigo Terra concorda, mas destaca que isso exige integração com o setor privado. “Se você cria curso rápido, mas não cria política para absorção desses profissionais, ele vai flutuar. Precisa ter vagas, incubadoras, estágios — o caminho inteiro até o emprego”, afirma.

O Brasil é hoje o maior mercado consumidor de games da América Latina e já supera a América do Norte em número de jogadores. Mas, segundo a Abragames, ainda há um descompasso entre o sucesso internacional dos estúdios brasileiros e o reconhecimento interno.

O programa Brasil Games, capitaneado pela Abragames e ApexBrasil desde 2012, é um exemplo de política bem-sucedida de internacionalização. O projeto já levou dezenas de estúdios para feiras e rodadas de negócios em países como China, Coreia do Sul, França e Reino Unido. Segundo Terra, parte dos editais lançados agora pode fortalecer ainda mais esse elo com o exterior, garantindo que estúdios pequenos consigam competir globalmente desde o início.

“A partir do momento que você publica um jogo, mesmo sendo só três pessoas, você já está jogando o jogo do mundo. Vai competir na Steam, na Epic, no Roblox. E muitos brasileiros estão fazendo isso”, diz.

Polo nacional e desafio da descentralização

Embora São Paulo concentre mais da metade das empresas e do faturamento da indústria nacional, a concentração ainda é um desafio. O Estado se consolidou como âncora do setor nas últimas décadas, com presença mais acentuada ainda na capital. Mas outras regiões começam a despontar: o Sul responde por 22% dos estúdios, e o Nordeste já abriga 16%, com destaque para Pernambuco e Ceará.

“O eixo dos games não é Rio-São Paulo, como no audiovisual. É São Paulo e Sul. Mas o Brasil inteiro pode crescer com políticas estaduais consistentes”, afirma Terra. L

O plano paulista se posiciona, assim, como uma proposta que vai além do fomento pontual. Mira a construção de uma política pública articulada, capaz de formar, apoiar e internacionalizar uma das indústrias criativas mais promissoras do país.

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