Visão do Planeta Marte: esperança de vida extraterrestre (Wikimedia Commons)
Da Redação
Publicado em 17 de julho de 2012 às 18h56.
Washington - A Nasa - agência espacial americana - anunciou nesta quinta-feira a descoberta de manchas superficiais no relevo de Marte, que poderia ser formado por água salgada, abrindo assim novas chances de se encontrar vida no planeta vermelho.
A descoberta foi feita graças à análise de uma série de imagens obtidas pelo Experimento Científico de Imagens de Alta Resolução (HiRise) do Orbitador de Reconhecimento de Marte (MRO, na sigla em inglês), que explora o planeta vermelho desde 2006.
O diretor da Nasa para pesquisa científica do programa de prospecção a Marte, Michael Meyer, fez o anúncio em entrevista coletiva junto ao professor Alfred McEwen da Universidade do Arizona, entre outros membros da equipe.
"Estamos muito contentes com esta descoberta, mas é o princípio de um processo que acabamos de começar", assinalou McEwen.
Ainda não há provas definitivas de que haja água líquida ativa na superfície de Marte, mas já foi detectada água congelada perto da superfície do planeta em regiões de latitude média e alta.
Segundo a agência americana, essas manchas escuras podem potencialmente ser formadas por um fluxo de água salgada, embora, por enquanto, seja apenas uma hipótese, já que as observações relatadas nesta primeira fase do estudo não podem comprová-la.
Lisa Pratt, bioquímica e geóloga da Universidade de Indiana, assinalou que ainda é uma opção "muito especulativa", mas se houvesse confirmação de que se trata de um fluido, voltaria a abrir as possibilidades de encontrar microorganismos no planeta vermelho.
As imagens estudadas cobrem uma variedade de latitudes e abrangem um período de aproximadamente três anos marcianos. Cada ano marciano equivale a 687 dias terrestres.
As variações foram localizadas com um algoritmo de detecção de mudanças capazes de identificar as alterações sutis que ocorrem na superfície marciana e descobriram que alguns dos sulcos tinham crescido mais de 200 metros em apenas dois meses terrestres.
Os cientistas acompanharam as mudanças sazonais dessas marcas - que se repetem em vários pontos elevados da superfície marciana nas latitudes médias do hemisfério sul do planeta -, mas alguns aspectos das observações ainda não estão resolvidos.
Entre as mudanças detectadas, eles indicaram que as marcas se alargam e escurecem nos morros voltados para o equador do planeta desde o fim da primavera marciana até o início do outono local.
A equipe aponta a água salgada como a razão causadora dessas "manchas", pois a salinidade reduz a temperatura de congelamento da água, que pode permanecer líquida nas temperaturas registradas por essas encostas durante a temporada de calor.
No entanto, o mecanismo exato de como ocorreria o processo e a origem da fonte de água ainda não estão claros.
"A melhor explicação que temos para essas observações até agora é que seja um fluxo de água salobra, mas este estudo não o comprova", destaca McEwen, pesquisador principal do HiRISE e autor principal do estudo que será publicado nesta sexta-feira na revista "Science".
A descoberta de água salgada seria importante para futuros estudos sobre a existência de vida em Marte e para a compreensão da história de água no planeta vermelho.
"É difícil imaginar que (as manchas) se formem por outra coisa que não o líquido que passa pelas encostas", aponta outro dos autores do estudo, Richard Zurek, do Laboratório de Propulsão a Jato (JLP) da Nasa. Segundo ele, a pergunta é se em Marte estaria ocorrendo esse mesmo fenômeno e por que nesses lugares.
A missão Phoenix Mars Lander da Nasa que iniciou as explorações de Marte em março de 2008 confirmou a existência de uma camada de água congelada.
Os cientistas determinaram que a água poderia ter saído à superfície ao longo da história de Marte, deixando no terreno canais secos e outras marcas.