Tecnologia

Por que esse anel virou o novo fetiche dos CEOs

Com 3 milhões de unidades vendidas no ano, o wearable virou símbolo da tentativa de otimizar decisões com base em dados corporais

Oura ring: fabricante do anel foi fundada em 2013 na cidade de Oulu, norte da Finlândia (Getty Images)

Oura ring: fabricante do anel foi fundada em 2013 na cidade de Oulu, norte da Finlândia (Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 28 de setembro de 2025 às 08h09.

Última atualização em 28 de setembro de 2025 às 08h14.

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Mais discreto que um relógio e com sensores mais próximos da corrente sanguínea, o anel da Oura vem ganhando espaço como o novo item obrigatório entre executivos, investidores e empreendedores ligados à indústria de tecnologia. A peça, que custa a partir de US$ 350 (cerca de R$ 1.900), promete ajudar seus usuários a monitorar o sono, a atividade física e o chamado “nível de prontidão” para o dia seguinte.

A startup finlandesa por trás do produto, a Oura Health, afirma já ter passado da cada dos 2,5 milhões de unidades somente em 2024. A expectativa é atingir US$ 1 bilhão em receita em 2025.

A proposta do produto é transformar cada usuário no “CEO da própria saúde”, por meio de um dispositivo que oferece análises sobre padrões que normalmente passariam despercebidos. Ao contrário de outros wearables, como relógios inteligentes, o anel mede os sinais diretamente do dedo, o que permite leituras mais precisas de frequência cardíaca, temperatura corporal e variabilidade da pulsação — indicadores usados para prever fadiga, queda de imunidade ou episódios de estresse.

A interface é centrada em três pilares: sono, atividade e prontidão. A pontuação de prontidão, por exemplo, cruza dados da noite anterior com padrões fisiológicos históricos do usuário para indicar se é um bom dia para atividades intensas ou se é melhor reduzir o ritmo. O aplicativo ainda oferece sugestões, como beber mais água, fazer pausas ou dormir mais cedo — sem notificações invasivas, segundo a empresa.

O anel ganhou adeptos como Mark Zuckerberg, fundador da Meta, Michael Dell, da Dell Technologies, e Gwyneth Paltrow, atriz e empresária. Nos bastidores do Vale do Silício, o uso do acessório já virou quase um indicativo informal de quem está na vanguarda da auto-otimização com base em dados.

Mercado de anéis inteligentes deve ganhar concorrência da Samsung e Apple

A Oura afirma ter uma “vala de dados” de 15 bilhões de horas de uso, o que fortalece seus algoritmos de personalização. Esse banco é considerado um trunfo contra a chegada de concorrentes mais capitalizados, como a Samsung, que lançou um anel próprio em 2024, e a Apple, que teria planos semelhantes em desenvolvimento.

Para manter o diferencial, a startup tem apostado em expandir o ecossistema ao redor do anel, oferecendo relatórios mais interpretativos, integração com outros sensores (como monitores de glicose) e experiências dentro do app, como histórias para dormir e planos de recuperação para fuso horário, jet lag e infecções leves.

A empresa também passou a destacar um compromisso com privacidade, permitindo ao usuário deletar totalmente seus dados e garantindo que informações não sejam compartilhadas com terceiros sem consentimento explícito.

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