Project Genie: mundo virtual e jogável foi criado a partir de um prompt
Repórter
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 11h58.
Última atualização em 2 de fevereiro de 2026 às 13h41.
As ações de algumas das principais empresas globais de videogames registraram fortes quedas na sexta-feira, 30, passada, após o Google apresentar o Project Genie, ferramenta de inteligência artificial capaz de gerar experiências interativas a partir de comandos de texto. O movimento foi interpretado por investidores como um sinal de possível pressão competitiva sobre estúdios tradicionais e motores gráficos usados no desenvolvimento de jogos.
Segundo a agência Reuters, a reação negativa ocorreu ainda na sexta — último pregão com dados consolidados — e segue sendo sentida no mercado no início desta semana. Na manhã desta segunda-feira, 2, as ações continuam sob pressão no pregão americano, mas ainda não há um novo fechamento que substitua os números registrados na sexta.
Entre os destaques, a Take-Two Interactive, controladora de franquias como Grand Theft Auto e NBA 2K, fechou a sexta cotada a US$ 220,30, com queda de 7,93%. A Roblox recuou 13,17%, para US$ 65,76, enquanto a Unity, dona de um dos motores gráficos mais usados da indústria, despencou 24,22%, encerrando o dia a US$ 29,10.
O Project Genie foi apresentado pelo Google como uma demonstração do potencial de modelos de IA para criar “mundos jogáveis” em tempo real, a partir de descrições em texto. A tecnologia é baseada no Genie 3, um world model, modelo de mundo, desenvolvido pelo Google DeepMind, braço de pesquisa em inteligência artificial da companhia.
A adoção de ferramentas generativas no setor de jogos, no entanto, já enfrenta resistência de artistas e desenvolvedores. As críticas se concentram principalmente em dois pontos: o uso de obras protegidas por direitos autorais no treinamento dos modelos e o impacto ambiental associado ao alto consumo de energia e água dessas tecnologias.
Diego Rivas, pesquisador do Google DeepMind, afirmou ao site The Verge que o Genie 3 foi “treinado principalmente com dados disponíveis publicamente na web”. Um white paper, artigo técnico, sobre a primeira versão do Genie indica que o modelo foi treinado com mais de 200 mil horas de vídeos de jogos disponíveis publicamente na internet.
Para parte da indústria, isso reforça a percepção de que sistemas de IA generativa se apoiam fortemente em trabalhos já existentes para criar novos conteúdos, um ponto sensível em um setor historicamente baseado em propriedade intelectual.
Na versão apresentada nesta semana, o Project Genie ainda tem limitações relevantes. As experiências interativas geradas duram até 60 segundos, não contam com trilha sonora, objetivos claros ou sistema de pontuação, e podem apresentar falhas visuais, como cenários que mudam abruptamente. Também não é possível exportar o conteúdo para motores tradicionais, como a Unity ou a Unreal Engine, motor gráfico da Epic Games.
Mesmo assim, o anúncio ocorre em um momento sensível para o setor de games, que enfrenta sucessivas ondas de demissões globais. Desenvolvedores veem a ferramenta como um possível substituto, ou até um atalho, para etapas iniciais do trabalho criativo, como prototipagem e concepção de ideias.
Executivos de grandes empresas de tecnologia têm reforçado essa leitura. Elon Musk, CEO da xAI, afirmou que pretende lançar “jogos e experiências em tempo real, personalizados para cada indivíduo” já no próximo ano. Tim Sweeney, CEO da Epic Games, disse que haverá uma disputa contínua entre IA integrada a motores gráficos e modelos de mundo independentes “até que se unam para obter o máximo efeito”.
Já Mark Zuckerberg, CEO da Meta, afirmou em teleconferência de resultados que a IA tornará os jogos “mais imersivos e interativos”. A declaração veio poucas semanas após a empresa encerrar estúdios e projetos de jogos em realidade virtual, movimento que gerou críticas internas e externas.