Redes sociais: plataformas evoluem com inteligência artificial e apps de nicho ganham força (Matt Cardy/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 11h16.
Meta e Google comparecerão ao Tribunal Superior da Califórnia para responder a acusações de que suas plataformas causam dependência e prejudicam a saúde mental de adolescentes. O julgamento está marcado para esta quinta-feira, 29, nos EUA. A ação judicial foi movida por uma jovem de 19 anos que alega ter desenvolvido depressão e pensamentos suicidas devido ao design das redes sociais.
Este é o primeiro caso em que as gigantes de tecnologia enfrentarão um tribunal para defender-se de alegações sobre danos causados por seus produtos a jovens usuários. A ação serve como precedente para milhares de outros processos semelhantes que buscam indenizações por prejuízos atribuídos às redes sociais.
A autora do processo, identificada como K.G.M., afirma que as características técnicas das plataformas foram projetadas para maximizar o tempo de uso, gerando "vício em mídia social". Segundo a ação, os algoritmos e recursos de engajamento a levaram a desenvolver problemas graves de saúde mental durante sua adolescência.
O caso representa o primeiro de uma série de processos previstos para 2026 relacionados ao impacto das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes. A ação foi iniciada quando a autora ainda era menor de idade e prossegue agora que ela tem 19 anos.
K.G.M. busca responsabilizar as empresas pelos danos psicológicos que alega ter sofrido. Ela sustenta que os aplicativos alimentaram sua depressão e pensamentos suicidas, causando prejuízos diretos à sua saúde mental.
Um júri decidirá se Meta e Google foram negligentes ao fornecer produtos que prejudicaram a jovem. A ByteDance, controladora do TikTok, chegou a um acordo extrajudicial na segunda-feira, 26, conforme informado pela equipe jurídica da autora. O Snapchat fechou acordo em 20 de janeiro. Os termos e valores desses acordos não foram divulgados.
Um ponto crucial no julgamento será a interpretação de uma lei federal que tradicionalmente isenta plataformas como Instagram e YouTube de responsabilidade legal pelo conteúdo publicado por seus usuários. Não há previsão sobre a duração do julgamento.
O caso pode eventualmente chegar à Suprema Corte dos EUA, segundo Matthew Bergman, advogado da autora. O júri terá que determinar se o uso dos aplicativos foi substancial para a depressão da jovem, em comparação com outros fatores como o conteúdo visualizado ou aspectos de sua vida fora das redes sociais.
"Elas estarão sob um nível de escrutínio que não existe quando você depõe perante o Congresso", declarou Bergman à Reuters sobre as empresas de tecnologia. Clay Calvert, advogado de mídia do American Enterprise Institute, afirmou: "Este é realmente um caso de teste. Vamos ver o que acontece com essas teorias".
Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, deve testemunhar durante o julgamento. A empresa planeja argumentar que seus produtos não causaram os problemas de saúde mental de K.G.M. O Google defende que o YouTube é fundamentalmente diferente de redes sociais como Instagram e TikTok, e não deveria ser classificado da mesma maneira.
Sobre o acordo com o TikTok, a equipe jurídica da autora informou apenas que "As partes estão satisfeitas por terem chegado a uma resolução amigável desta disputa", sem revelar detalhes específicos do acordo extrajudicial.