O impacto de um meteoro pode produzir uma onda de choque comparável à de uma explosão atômica (Wikimedia Commons)
Maurício Grego
Publicado em 15 de fevereiro de 2013 às 16h01.
São Paulo — A queda de um meteoro na Rússia nesta sexta-feira, deixando mais de 900 feridos, é uma evento infrequente, mas não inédito. Há inúmeros registros de choques similares no passado. Entre os que foram presenciados pelos humanos, o mais impressionante aconteceu em 1908 na região de Tunguska, na Sibéria.
Não há 100% de certeza de que a explosão de Tunguska tenha sido causada por meteoro. Mas essa é a hipótese mais aceita pelos cientistas. O impacto ocorreu numa região pouco habitada. Sua força é estimada em mil vezes a da bomba atômica que devastou Hiroshima em 1945.
A explosão produziu uma onda de choque equivalente a 5 graus na escala Richter. Ela destruiu 80 milhões de árvores numa área de mais de 2 mil quilômetros quadrados. Houve vidraças quebradas a centenas de quilômetros de distância.
Existem mais de mil trabalhos científicos sobre a explosão de Tunguska. A maioria aponta para um meteoro como provável causa. Mas nenhuma cratera foi encontrada, o que sugere que o suposto meteoro deve ter explodido no ar. Cálculos indicam que a explosão deve ter ocorrido entre 6 e 10 quilômetros de altitude.
O objeto, com 60 metros de diâmetro, teria se desintegrado quando a resistência do ar se tornou maior que a força de coesão que mantinha suas partículas unidas. Espalhados pela região, há minerais que podem ter vindo de um meteoro, o que reforça essa hipótese.
Perto desse monstro espacial, o meteoro que caiu nesta sexta-feira na Rússia parece pequeno. Estimativas indicam que ele tinha pouco mais de 2 metros de diâmetro e massa de 10 toneladas. O clarão no céu sugere que ele também explodiu no ar. Mas os russos encontraram pelo menos uma cratera, indicando que algum fragmento grande chegou ao chão.
A devastação de Tunguska poderia se repetir se um asteroide como o 2012 DA-14, que passa hoje perto da Terra, colidisse com o planeta. Felizmente, os astrônomos dizem que não há risco de isso acontecer nesta vez.
Mas há evidências práticas de que um desastre ainda pior é possível. Estudos mostram que um meteorito gigantesco, com 10 quilômetros de diâmetro, chocou-se contra a península de Yucatán, no México, há 66 milhões de anos. Segundo a teoria mais aceita atualmente, esse choque espacial teria provocado a extinção dos dinossauros.