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Facebook oferece dinheiro a usuários em troca de gravações de voz

Participantes podem ganhar até US$ 5 para treinar algoritmo de reconhecimento de voz, mas programa está restrito aos EUA

O Facebook está oferecendo pagamento em troca de informações pessoais de seus usuários — gravações de voz de pequenas frases —, num raro caso de compensação financeira pela coleta de dados por grandes empresas de tecnologia. O objetivo da companhia é reunir trechos de gravações para treinar o reconhecimento de voz dos alto-falantes inteligentes da linha Portal.

O programa chamado “Pronunciations” foi aberto nesta quinta-feira no aplicativo de pesquisa de mercado Viewpoints, em operação apenas nos EUA. Usuários qualificados terão que gravar a frase “Hey Portal”, seguida do primeiro nome de um amigo da lista de contatos. A tarefa requer gravações para dez amigos diferentes, duas vezes para cada nome.

Cada tarefa, com a gravação de 20 frases, vale 200 pontos no Viewpoints. Porém, os usuários só podem retirar seus pagamentos quando alcançarem 1.000 pontos, trocados por US$ 5 no PayPal. Por isso, no programa “Pronunciations”, cada usuário qualificado poderá realizar a tarefa cinco vezes, acumulando os pontos necessários para o pagamento.

O programa estará disponível apenas para usuários do Facebook e do Viewpoints maiores de 18 anos, moradores dos EUA e com mais de 75 contatos na rede social. Segundo o site The Verge, a companhia informou que as gravações de voz não serão conectadas aos perfis do Facebook e que as atividades do Viewpoints não são compartilhadas com o Facebook ou com outros serviços do grupo sem permissão.

O Portal é um alto-falante inteligente, criado com foco nas videochamadas pelo Messenger. Porém, diferente dos concorrentes Echo, da Amazon; Nest, do Google; e HomePod, da Apple, não possui um assistente virtual próprio, sendo operado pela Alexa. Com o “Pronunciations”, a companhia parece caminhar na direção de criar um serviço semelhante.

A opção de pagar pelas gravações previne o Facebook de se envolver em polêmicas de privacidade que atingiram todos os concorrentes no ano passado. Em abril, a Bloomberg revelou que a Amazon contratava funcionários para analisar trechos de gravações de voz coletados pela Alexa, sem o conhecimento dos usuários. Google, Apple e Microsoft também mantinham a prática.

Funcionários que trabalhavam como terceirizados nessa função contaram a diversos veículos de imprensa detalhes do trabalho, relatando episódios de áudios de pessoas transando ou em conversas privadas com médicos. Os assistentes de voz são ativados por palavras-chave, mas não é incomum eles confundirem com outras palavras, ou até com o som ambiente.

As companhias alegaram que apenas pequenos trechos de gravações de voz, anonimizadas, eram coletadas para a melhoria do algoritmo de reconhecimento de voz. Após o escândalo, as empresas encerraram seus programas ou passaram a informar, de maneira clara, que os dados poderiam ser coletados.

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