Tecnologia

Facebook estuda versão por assinatura e sem anúncios

Zuckerberg há muito tempo considera essa alternativa para solucionar um dos problemas pelos quais as pessoas dizem sair da rede social

Facebook: rede social estaria estudando lançar versão sem anúncios (Stephen Lam/Reuters)

Facebook: rede social estaria estudando lançar versão sem anúncios (Stephen Lam/Reuters)

Lucas Agrela

Lucas Agrela

Publicado em 4 de maio de 2018 às 11h34.

Última atualização em 4 de maio de 2018 às 12h57.

O Facebook vem realizando pesquisas de mercado nas últimas semanas para determinar se uma versão sem propagandas e paga através de assinaturas estimularia mais gente a entrar na rede social, segundo pessoas a par do assunto.

A empresa já havia estudado essa opção anteriormente, mas agora existe um impulso interno maior para concretizá-la por causa do recente escândalo do Facebook relativo à privacidade dos dados, disseram as pessoas. Os planos não são sólidos e talvez não avancem, de acordo com as pessoas, que pediram anonimato porque as discussões são privadas.

O Facebook preferiu não comentar a possibilidade de um serviço sem propagandas baseado em assinatura. O CEO Mark Zuckerberg e a diretora de operações Sheryl Sandberg passaram boa parte da conferência sobre os resultados do primeiro trimestre divulgando os benefícios da rede patrocinada por anúncios, que, segundo eles, possibilita que a empresa chegue à maioria das pessoas, em todos os níveis de renda. Mas esta não é a única maneira de administrar a companhia.

"Sem dúvida, pensamos em muitas outras formas de monetização, inclusive assinaturas, e sempre continuaremos considerando tudo", disse Sandberg.

Durante seu depoimento no Congresso dos EUA no mês passado, Zuckerberg deixou a porta aberta para a opção da assinatura. "Sempre existirá uma versão do Facebook que seja gratuita", disse ele.

Zuckerberg há muito tempo considera essa alternativa - não para substituir o modelo de negócios da rede social, mas para remover um motivo comum apontado pelas pessoas como causa para abandonar o serviço. A empresa gerou praticamente todos os seus US$ 41 bilhões em receita no ano passado com a venda de propagandas segmentadas com dados de usuários. Pesquisas internas da empresa nos últimos anos concluíram que os consumidores não seriam receptivos a uma opção de assinatura, porque considerariam o Facebook ganancioso ao pedir dinheiro por algo que a companhia afirmou que seria sempre gratuito, disseram as pessoas.

Agora, o Facebook acredita que o sentimento do consumidor pode estar mudando. A empresa enfrenta uma crise de confiança pública depois que um desenvolvedor forneceu informações pessoais de milhões de usuários do Facebook para a Cambridge Analytica, uma empresa de consultoria política que trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump nos EUA em 2016. As notícias sobre o vazamento de dados geraram dúvidas sobre as informações que o Facebook coleta sobre as pessoas para as propagandas e sobre se os usuários são rastreados e segmentados de maneiras que eles não esperam ou não entendem.

A empresa, com sede em Menlo Park, na Califórnia, vem realizando uma ampla análise de seus negócios para identificar maneiras de eliminar possíveis falhas de segurança e, de forma mais geral, reconquistar a confiança dos usuários e melhorar sua experiência. A empresa tem sido receptiva a mudanças que um ano atrás seriam impensáveis, como classificar editores de notícias de acordo com a confiabilidade e permitir votar a favor ou contra comentários.

Os executivos também têm enfrentado perguntas difíceis dos funcionários, como, por exemplo, se o Facebook deveria oferecer propaganda política. Sandberg disse à Bloomberg News no mês passado que a rede social deve continuar aceitando anúncios políticos para promover a liberdade de expressão.

Acompanhe tudo sobre:FacebookRedes sociais

Mais de Tecnologia

A CEO do Hinge veio ao Brasil defender uma tese rara: sucesso é o usuário deletar o app

No maior layoff de sua história, Amazon demite 16 mil funcionários

CEO da Apple diz estar 'de coração partido' com morte de enfermeiro por agentes do ICE

Telas da linha Samsung Galaxy S26 terão função de privacidade embutida