interestelar (Divulgação)
Da Redação
Publicado em 13 de fevereiro de 2015 às 11h54.
Os efeitos especiais de Interestelar estão ajudando astrofísicos a entenderem a formação de buracos negros supermaciços e outros fenômenos cósmicos.
A equipe que desenvolveu os efeitos especiais do filme de Christopher Nolan publicou um estudo científico descrevendo o código de programação que criou o buraco-de-minhoca e o enorme buraco negro do filme, o Gargantua.
O estudo, publicado nesta sexta-feira (13) na revista científica Classical and Quantum Gravity, detalha como o código ajudou na construção de uma representação cientificamente crível do buraco negro, mapeando como milhões de raios de luz viajam na fenda espaço-temporal que circunda o Gargantua.
No início da produção do filme, a equipe de Interestelar descobriu que o método geralmente usado para criar buracos negros em efeitos especiais produzia um brilho artificial demais, quando estrelas e outros objetos se moviam.
Então, eles tentaram algo novo.
"Para se livrar do brilho e produzir figuras suaves e realistas para o filme, alteramos nossa programação, de uma forma que nunca havia sido tentada", afirma Oliver James, diretor da Double Negative, estúdio que criou os efeitos especiais do filme.
"Ao invés de traçar as direções de cada raio de luz usando as equações de Einstein, píxel por píxel, traçamos as direções e formas distorcidas dos raios", diz James.
Kip Thorne, o renomado astrofísico que trabalhou como consultor e produtor executivo do filme, ressaltou a importância dos efeitos para futuras pesquisas científicas.
"Essa nova abordagem para criar imagens terá grande valor para astrofísicos. Também precisamos de imagens suaves e bonitas", disse Thorne.
James, Thorne e seus colegas também usaram o código para entender como as superfícies dos raios de luz, chamadas de "cáusticas", afetam imagens de estrelas distantes vistas por uma câmera ou um observador próximo a um buraco negro giratório.
"Um raio de luz emitido de qualquer ponto de uma superfície de luz é focalizado pelo buraco negro para dentro de um ponto brilhante de luz em um dado momento", afirma James.
"Todas as cáusticas, exceto uma, cobrem o céu várias vezes quando a câmera está próxima do buraco negro", diz. "Esse efeito é causado pelo giro do buraco negro, que arrasta o espaço em um movimento de rotação, como o ar em um furacão, esticando as cáusticas pelo buraco negro".
Lançado em novembro, Interestelar foi indicado a cinco Oscar, incluindo o de melhores efeitos especiais.