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Com Musk ao volante, Tesla entrega seu primeiro caminhão elétrico

"Parece que veio do futuro", disse o proprietário da Tesla, Elon Musk

O Semi tem "toda a potência necessária para realizar o trabalho", explicou Musk (AFP/AFP Photo)

O Semi tem "toda a potência necessária para realizar o trabalho", explicou Musk (AFP/AFP Photo)

A
AFP

2 de dezembro de 2022, 12h47

A montadora americana Tesla entregou seu primeiro caminhão elétrico, o Semi, construído para enfrentar longas viagens e com o objetivo de revolucionar o mercado emergente de veículos pesados movidos a bateria.

"Parece que veio do futuro", disse o proprietário da Tesla, Elon Musk, nesta quinta-feira (1º),  ao entregar as chaves do Semi aos executivos da PepsiCo na fábrica da Tesla em Nevada.

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Com seu design elegante, o Semi tem sido aguardado desde que Musk revelou um protótipo em 2017. Mas o lançamento da produção em larga escala foi adiado bem além da expectativa inicial de 2019.

"É uma loucura tudo que aconteceu em cinco anos (...) mas aqui estamos. É real", expressou Musk.

Outros fabricantes já entraram no mercado de caminhões elétricos: das tradicionais Daimler, Volvo e BYD, às novas empresas, como a americana Nikola.

No entanto, o caminhão que "o mercado estava esperando (...) é o da Tesla", disse Dave Mullaney, especialista em transporte do grupo de especialistas em sustentabilidade RMI.

O que os fabricantes tradicionais fizeram foi, principalmente, converter seus caminhões projetados para óleo diesel em caminhões elétricos.

O Semi da Tesla, por sua vez, "foi pensado para ser elétrico desde o primeiro desenho", apontou Mullaney. E, se o veículo corresponder às expectativas, “vai fazer uma grande diferença”, acrescentou.

Na quinta-feira, Musk insistiu em que o caminhão, com um peso total de quase 37 toneladas, pode percorrer 805 quilômetros sem recarregar sua bateria, enquanto a atual gama de veículos elétricos oferece uma autonomia de 400 a 480 quilômetros.

O Semi tem "toda a potência necessária para realizar o trabalho", explicou Musk, que garantiu que o veículo "mudará as regras do jogo" do mercado.

- Transporte consciente do meio ambiente -

O uso de veículos elétricos leves para distâncias curtas tem crescido constantemente, mas novas regulamentações estão acelerando a transição e o desenvolvimento de capacidades de transporte de longa distância.

A Califórnia aprovou uma lei que elimina, gradualmente, os caminhões com motor de combustão e que, desde então, vem sendo imitada por outros estados americanos. A União Europeia também deve discutir regras semelhantes nos próximos meses.

No âmbito das relações públicas, as empresas também enfrentam a pressão de tomar medidas mais conscientes em relação ao meio ambiente.

Embora constituam uma pequena parcela dos veículos nas estradas, os semirreboques movidos a diesel respondem por cerca de 20% das emissões nocivas para o planeta causadas por veículos motorizados, de acordo com Musk.

Mike Roeth, diretor da NACFE, uma ONG que trabalha para melhorar a eficiência do transporte de mercadorias na América do Norte, disse que outra motivação para a transição é que os motoristas que a experimentaram "ficaram encantados com os caminhões elétricos".

"Eles são silenciosos, não emitem fumaça no escapamento, são mais fáceis de dirigir", explicou.

No entanto, o fator mais importante será o preço.

Em 2017, a Tesla havia anunciado que ofereceria duas versões do Semi – uma por US$ 150.000, e outra, por US$ 180.000 –, mas nenhuma menção sobre valores foi feita no evento de quinta-feira.

Mullaney observou que hoje custa 70% mais caro comprar um caminhão elétrico do que comprar um caminhão a diesel. Em termos de combustível e de manutenção, porém, é mais barato.

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