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Big data revela o humor dos torcedores

Ferramenta de análise mostra quem são os jogadores preferidos das torcidas

big-data (ShutterStock)

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Da Redação

Publicado em 8 de julho de 2014 às 08h36.

Qual o jogador de futebol mais querido (e o odiado) da Copa do Mundo do Brasil? E o humor dos brasileiros em relação à competição sediada em seu país? Essas e outras perguntas, como para onde estão se deslocando, neste momento, os torcedores estrangeiros que acompanham a maior competição mundial de futebol, podem ser respondidas graças ao big data, um serviço de análise de dados em massa.

A partir de ferramentas que analisam os comentários feitos em redes sociais como o Facebook e o Twitter, especialistas conseguiram mensurar, por exemplo, a reação do público à mordida do uruguaio Luis Alberto Suárez nas costas do jogador italiano Giorgio Chiellini. Logo após a agressão ser registrada, ao vivo, pelas câmeras de televisão, uma avalanche de memes, tuítes e posts mostrava que Suárez seria, nos próximos dias, alvo de duras críticas. “Perceber essa tendência logo no início permitiu à marca esportiva Adidas, patrocinadora de Suárez, remover publicidades com a imagem do atleta, diminuindo, assim, o desgaste da marca”, diz Emerson Tavares, pesquisador da recém-criada disciplina de transmídia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O mesmo mecanismo também permitiu às empresas perceberem, já no segundo dia de competição, que o humor do brasileiro tendia a ser positivo durante a Copa do Mundo. “Antes do evento, muitas marcas temiam se associar à competição em função de protestos, greves e críticas a uma esperada desorganização do evento, cercado por obras atrasadas e escândalos de corrupção”, afirma Tavares. Com o início dos jogos, no entanto, a baixa adesão aos protestos, o fato de os sistemas de transporte e acessos aos estádios funcionarem bem e o clima de festa reverteram o clima de pessimismo dos brasileiros, que passaram a compartilhar na web mensagens positivas. “Esse tipo de percepção, que as pesquisas de rua levam dias para aferir, pode ser tida, em tempo real, com ferramentas de big data”, diz o especialista.

Os “queridinhos” da Copa
Empresas como a cervejaria Budweiser, por exemplo, usaram o big data para medir, a cada rodada, quem eram os jogadores mais amados e os mais criticados pelo público. O argentino Lionel Messi, o brasileiro Neymar Júnior e o atacante italiano Mario Balotelli – famoso por pedir um beijo da rainha da Inglaterra para ajudar o time britânico – lideraram os comentários positivos. Já Suárez e o colombiano Juan Zúñiga, responsável pela contusão de Neymar nas quartas de final, puxaram as menções negativas.

Outra aplicação do big data utilizada nesta Copa foi a análise do tráfego de dados gerado por dispositivos de torcedores estrangeiros conectados a redes wi-fi e 3G no Brasil. Essas informações foram úteis, por exemplo, para gerar relatórios para a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, a Infraero, e polícias estaduais sobre o deslocamento de torcedores e prever, por exemplo, em quais cidades poderia existir um excesso de visitantes em datas específicas da competição.

Um terceiro exemplo de uso dessa tecnologia é um software criado pela SAP para analisar o desempenho dos atletas. Utilizada pela seleção da Alemanha, a ferramenta gera relatórios estatísticos com os pontos fortes e fracos de cada jogador. Para Tavares, as possibilidades de uso do big data em eventos de grande porte são imensas e tendem a crescer ainda mais. “Todos os dias, aparece uma startup com uma ideia criativa sobre como usar essas informações. O potencial de uso desses dados é praticamente infinito”, diz o especialista.

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