Paulo Nassar, CEO da Petz Cobasi: “Estima-se que cerca de 50% do mercado pet no Brasil é dominado por pet shops independentes” (Paul Henri Bonneval/Divulgação)
Repórter
Publicado em 30 de março de 2026 às 18h23.
Última atualização em 30 de março de 2026 às 18h27.
A fusão entre Petz e Cobasi, duas das maiores redes do varejo pet no Brasil, marca o início de uma nova fase para o setor. À frente da operação combinada, o presidente Paulo Nassar não hesita ao responder às críticas sobre concentração de mercado.
“Falar em monopólio é um absurdo”, afirma o executivo ao podcast "De frente com CEO", da EXAME.
O grupo resultante da união, segundo Nassar, representa cerca de 10% de participação em um mercado estimado em R$ 78 bilhões, dominado majoritariamente por pequenos pet shops espalhados pelo país.
“Estima-se que cerca de 50% do mercado pet no Brasil é dominado por pet shops independentes”, diz o CEO. “Esse é um mercado pulverizado, com milhares de lojas de bairro. Há espaço para bons empreendedores”.
A fala sintetiza o posicionamento estratégico da companhia: crescer em escala, mas em um setor ainda altamente fragmentado.
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O novo grupo nasce com números robustos:
Mas, para Nassar, o tamanho não é o principal desafio, e sim a integração.
“A fusão, mais do que tudo, é um momento de transformação. Estamos combinando culturas, estratégias e equipes”, diz.
O executivo destaca que o foco em 2026 será menos expansão e mais execução: alinhar operações, integrar sistemas e capturar sinergias.
Em 2026, o plano é inaugurar entre 10 e 13 novas unidades – no ano passado as duas companhias abriram 15 unidades (10 Cobasi e 5 Petz).
“A prioridade agora é integrar. Crescer sem integração não gera valor.”
O cenário macroeconômico impõe um tom mais conservador para o varejo neste ano.
Nassar cita dois fatores principais:
“A gente acredita que o varejo não deve crescer muito em 2026”, afirma.
Ainda assim, o executivo aposta na resiliência do setor pet.
“Somos um varejo de alta frequência. As pessoas não deixam de cuidar dos seus animais, independentemente do cenário. Por isso estamos preparados.”
Um dos pilares do crescimento da companhia foi a antecipação digital.
Antes da pandemia, o e-commerce representava cerca de 12% a 15% das vendas. Hoje, ultrapassa 40% do faturamento total das operações.
A aposta começou ainda em 2016, quando as empresas investiram em tecnologia sem saber que enfrentariam um cenário como o da pandemia.
“Capturamos essa mudança de comportamento, porque já estávamos preparados no digital”, diz.
Durante a pandemia, o setor pet também viveu um crescimento acelerado de adoção, impulsionado por uma mudança de comportamento das famílias. Com o isolamento social e a redução da convivência, muitas pessoas buscaram nos animais de estimação uma forma de companhia.
“As pessoas com essa necessidade afetiva reprimida passaram a adotar muitos pets. Foi um fenômeno mundial”, afirma Nassar. Mas depois da pandemia, a adoção desacelerou.
Depois do boom durante a pandemia da Covid-19, o setor pet enfrenta hoje um momento desafiador.
“O mercado de pets hoje anda de lado”, afirma Nassar.
Ele lembra que o período pós-pandemia trouxe um fenômeno preocupante: o aumento do abandono de animais, especialmente com o retorno ao trabalho presencial.
Mesmo assim, a visão de longo prazo permanece positiva.
“O mercado é grande, resiliente e tem espaço para inovação.”
No campo social, o grupo aposta em iniciativas de proteção animal. Programas como o Cobasi Cuida e o Adote Petz já viabilizaram a adoção de mais de 132 mil animais e o apoio a mais de 320 ONGs.
“Ambos os programas ampararam mais de 300 mil animais ao longo de todo esse tempo”, diz o CEO. “Cedemos também espaços dentro das lojas para centros de adoção".
Outro vetor estratégico é o avanço das marcas próprias, que já representam 14% das vendas na Petz e 8% na Cobasi.
Com a fusão, a expectativa é acelerar esse movimento.
“A gente quer ampliar o portfólio de produtos exclusivos. Isso aumenta margem e fidelização”, afirma.
O grupo já atua em categorias como: alimentos premium para pets, produtos de higiene e beleza, brinquedos e acessórios, itens sazonais, como “panetone” e “ovo de Páscoa” para animais.
No fim, a ambição do grupo vai além da fusão. Segundo o CEO, a meta é construir o principal ecossistema pet da região.
“Queremos transforma esse grupo no melhor ecossistema para pets na América Latina”, afirma o CEO. “Mas a gente não quer ser admirado só pelos clientes, mas também pelo impacto social e pela transformação que estamos construindo.”
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Nos resultados do balanço de 2025, Petz e Cobasi mostraram desempenho operacional positivo, apesar do impacto contábil das despesas não recorrentes ligadas à operação.
No quarto trimestre de 2025, a Cobasi registrou lucro líquido ajustado de R$ 41 milhões, alta de 80,1% na comparação anual, enquanto a Petz reportou R$ 25,9 milhões, avanço de 15,7%. No entanto, ao considerar o lucro contábil, pressionado pelos custos da fusão, a Cobasi teve resultado de R$ 22,5 milhões, queda de 57,5%, e a Petz registrou prejuízo de R$ 8,7 milhões no período.
Em termos operacionais, ambas mantiveram crescimento consistente. A Cobasi atingiu receita bruta de R$ 946,6 milhões no trimestre, alta de 9,3%, com destaque para o canal digital, que cresceu 15,3% e passou a representar 38,7% do faturamento. Já a Petz registrou receita recorde de R$ 1,14 bilhão, avanço de 8,1%, com vendas digitais respondendo por 43,6% do total.
No acumulado de 2025, a Petz alcançou receita bruta de R$ 4,3 bilhões, crescimento de 7,9%, enquanto a Cobasi somou R$ 3,57 bilhões, alta de 9,9%. O Ebitda ajustado foi de R$ 312,2 milhões na Petz e de R$ 294,6 milhões na Cobasi, reforçando a robustez operacional das companhias.
Com a fusão formalizada no início de 2026, as empresas passam a operar sob a holding União Pet Participações S.A., listada na B3 sob o código AUAU3. A expectativa é capturar entre R$ 200 milhões e R$ 260 milhões em sinergias de Ebitda nos próximos cinco anos, com uma contribuição inicial estimada entre 0% e 10% já em 2026 — em um movimento que, segundo as companhias, vai além da soma de operações e representa a convergência de culturas e competências.