Tecnologia

A IA está criando líderes com perfil mais jovem, técnico e acadêmico, mostra levantamento

Ao comparar as 100 startups de IA com crescimento mais acelerado no último ano e o famoso 'Clube dos Unicórnios', de 2013, o perfil de fundadores e CEOs é uma das maiores diferenças

Lideranças de novas empresas: fundadores de startups de IA têm perfil técnico e experiência em pesquisa acadêmica (Getty Images)

Lideranças de novas empresas: fundadores de startups de IA têm perfil técnico e experiência em pesquisa acadêmica (Getty Images)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 10h49.

Fundadores e CEOs das 100 startups em Inteligência Artificial com crescimento mais rápido têm um perfil distinto dos seus semelhantes da geração anterior na indústria tech.

Os dados são de um novo relatório da firma de capital de risco em estágio inicial Leonis Capital, que examinou as 100 startups de IA de crescimento mais rápido usando ferramentas internas de pesquisa de IA e dados públicos. Eles batizaram o novo grupo de "Leonis AI 100".

'Clube dos Unicórnios' de 2013

Na década de 2010, o "Clube dos Unicórnios" mudou o funcionamento do Vale do Silício.

O grupo de startups foi descrito pela investidora anjo Aileen Lee em 2013, após um amplo levantamento da sua de capital de risco Cowboy Ventures. A liga era composta por 39 empresas de software com base nos Estados Unidos, fundadas após 2003 e valoradas em mais de US$ 1 bilhão.

Entre os Unicórnios havia nomes como Airbnb, Workday, Twitter, Yelp, Waze, Dropbox, Uber e LinkedIn, que se consolidaram ao longo dos anos e hoje estão cotidiano da maioria das pessoas.

O que o levantamento da Cowboy Ventures mostrou é que as empresas de extremo sucesso tinham fundadores de alto nível educacional, na faixa dos trinta e que já haviam colaborado antes em outros projetos.

Isso foi importante para desconstruir um mito de criação da indústria tech: o do fundador que largou os estudos e se tornou um gênio administrativo que usa exclusivamente estratégias de alto risco.

Hoje em dia, essa mensagem não perdeu a validade. Porém, houveram mudanças na última década.

Líderes em IA são mais jovens

A idade mediana dos líderes na Leonis AI 100 é 29 anos, comparada à mediana de 34 no grupo dos Unicórnios.

Os fundadores do Cursor, por exemplo, estavam no começo da faixa dos 20 anos, recém-saídos do MIT, quando começaram a empresa. Outro exemplo é do CEO Aravind Srinivas, que tinha 28 anos quando cofundou a Perplexity.

AI 100: dos 241 fundadores analisados, a maior parte tem entre 23 e 37 anos (Leonis/Reprodução)

Os motivos para essa redução na idade não é um mercado que valoriza menos experiência. O perfil mais acadêmico e técnico dos novos fundadores não seria compatível com pouca experiência. A diferença é que a ascensão das startups de IA generativa tem sido muito mais rápida do que a de gerações anteriores de pioneiras em tech.

Apesar da tecnologia de IA preditiva, base para os softwares desenvolvidos atualmente, já existir há quase duas décadas, o boom de softwares generativos começou com o lançamento do Chat GPT, apenas três anos atrás. Desde então, a indústria se aqueceu e acelerou, após uma década com menos inovações do que os anos 1990 e 2000.

O levantamento da Leonis mostra que houve uma rodada pesada de investimentos em IA entre 2023 e o primeiro semestre 2024. Diversas empresas do AI 100 chegaram a um faturamento anual acima de US$ 1o0 milhões em menos de dois anos, como a Cursor, Slack, Lovable e 11ElevenLabs.

Ou seja, com a aceleração do ciclo de investimentos e faturamentos, aqueles que comandam as empresas em ascensão chegam mais rápido a um grau de sucesso semelhante ao dos Unicórnios em 2013.

Outro fator é a forma que a própria tecnologia de IA molda o fluxo de trabalho e permite maior rapidez no desenvolvimento técnico.

Fundadores mais técnicos e acadêmicos

"Na IA, a tecnologia é o produto", disse a sócia da Leonis, Jenny Xiao, uma ex-pesquisadora da OpenAI. "Nas gerações anteriores, a tecnologia é um facilitador para outra coisa". Por exemplo, o produto do Uber, para o cliente final, são as corridas em carros, não o software em si.

No caso de um chatbot de IA, por exemplo, a própria tecnologia é o que os clientes buscam. É semelhante a como o Pacote Office chegou ao mercado na década de 1990.

Para isso, a junção de uma boa ideia e um plano de negócios sólido não é suficiente para lucrar na era da IA. O Airbnb prosperou, pois oferecia uma solução mais prática e barata para o processo de buscar hospedagem em viagens, que já existia antes.

Fundadores com perfil mais administrativo, de altíssimo nível de escolaridade, conseguiram utilizar a tecnologia para oferecer um produto alternativo e atrativo. O desenvolvimento do software era parte da produção, não a alma do negócio.

Unicórnios vs. IA: perfil das empresas com base em características dos fundadores (Leonis/Reprodução)

Com a IA, o software é o negócio, então a ascensão do "fundador pesquisador" reflete um arquétipo que mal existia na onda anterior. Esse tipo de líder viu como modelos de ponta são treinados e entende quais capacidades provavelmente melhorarão em breve e quais ainda requerem avanços fundamentais em pesquisa. Esse conhecimento interno os ajuda a mirar oportunidades logo à frente da curva.

A grande maioria, 58%, das startups no Leonis AI 100 tem pelo menos um cofundador com experiência em pesquisa. 40% de todos os 241 fundadores no grupo têm experiência em pesquisa. Comparativamente, apenas 12% no Clube dos Unicórnios tinham desenvolvido pesquisa acadêmica previamente.

'Fundador pesquisador': o modus operandi da indústria de IA é a técnica em si (Leonis/Reprodução)

É importante notar que esses não são pesquisadores puros que passaram décadas na academia. Os fundadores mais bem-sucedidos combinam credenciais de pesquisa com a ambição.

Mais de 60% dos fundadores no conjunto de dados da Leonis têm formação educacional de elite, com diplomas do MIT, Stanford, Harvard e outros programas de ponta. Isso continua um padrão da última geração de fundadores de unicórnios, muitos dos quais também vieram de escolas prestigiosas.

A diferença nesta onda é a área de estudo, são mais comuns PhDs em ciência da computação, estatística ou matemática, diferentemente dos Unicórnios que eram comandados por MBAs em sua maioria. Aravind Srinivas, CEO e cofundador da Perplexity, por exemplo, completou seu PhD na UC Berkeley e trabalhou como pesquisador na OpenAI antes de começar a sua própria empresa.

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