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Feijão, carne e ovo: preço dos alimentos deve acelerar e pesar no prato do brasileiro

Mesmo com previsão de safra recorde de grãos, o preço dos alimentos deve subir em 2026, com pressão sobre feijão e carne

Plantação de arroz no Rio Grande do Sul: estado concentra 70% da produção nacional do grão, com 8,7 milhões de toneladas, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) (Fernando Dias/Seapa/Divulgação)

Plantação de arroz no Rio Grande do Sul: estado concentra 70% da produção nacional do grão, com 8,7 milhões de toneladas, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) (Fernando Dias/Seapa/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h00.

A inflação de alimentos foi uma das principais dores de cabeça para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2025.

O cenário começou a se estabilizar com a supersafra de grãos e a queda do dólar, que ajudaram a aliviar a pressão sobre os preços. Com isso, o IPCA fechou o ano em 4,4%, e a inflação dos alimentos ficou em 2,9%.

Em 2026, porém, o tema volta ao centro do debate — especialmente em ano eleitoral, quando o custo da comida ganha peso político.

Segundo o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), a inflação de alimentos deve avançar 5% neste ano, mesmo com estimativa recorde de produção agrícola: 353 milhões de toneladas, segundo a Conab.

Na prática, pratos como o bife a cavalo — arroz, feijão, carne e ovo — devem pesar mais no bolso. Os aumentos projetados são de 4% no feijão, 9,5% na carne bovina e 5% no ovo, segundo Francisco Pessoa Faria, do FGV Ibre. A projeção está ligada à queda da produtividade de itens-chave.

A produção de feijão deve recuar 0,5%, para 3 milhões de toneladas. “O mercado de feijão ainda é muito determinado por fatores internos, embora o setor busque ampliar exportações e negociar preços com mais previsibilidade”, afirma Faria.

Já a produção de carne deve cair 7,5% em 2026, para 38 milhões de toneladas, segundo a consultoria Datagro, por causa do ciclo pecuário.

O arroz será o ponto fora da curva: a produção deve cair 13% neste ano, segundo a Conab, em razão dos preços internacionais em 2025, que desanimaram os produtores a plantar.

Ainda assim, Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), estado que responde por cerca de 70% da produção nacional, descarta risco de inflação. “Mesmo com a safra menor, os estoques ainda são muito altos. Isso deve aliviar”, afirma.

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