Para o Google, o Brasil ainda pode ser grande em tecnologia

O principal responsável do Google por programas de startups diz que o país tem empreendedores veteranos dispostos a ensinar os novatos e muitos investidores

São Paulo — Entre as empresas que mais valorizaram na bolsa americana nos últimos dez anos não faltam exemplos do setor de tecnologia. Os papéis da varejista online Amazon cresceram 1.900%.

Os do serviço de vídeo Netflix, 2 150%. Para o israelense Roy Glasberg, principal executivo do Google responsável pelos programas de incentivo às empresas novatas, casos como esses podem ser replicados em outros países.

Para Glasberg, o Brasil tem um bom histórico em criar empresas de tecnologia, mas é preciso fazer mais. “O que o Brasil está fazendo hoje e o que fará nos próximos anos no setor de tecnologia será decisivo para o futuro de sua economia”, diz.

Exame - A crise econômica e política do Brasil é uma barreira para as startups de tecnologia?

Glasberg - Seria bom para as pequenas empresas se a situação econômica estivesse melhor. Mas as crises não são exclusividade do Brasil. Nasci e cresci em Israel. Lá também tivemos grandes desafios. Nem por isso o setor de tecnologia deixou de avançar. A diferença é que hoje os líderes israe­lenses já entendem que o desempenho da economia depende cada vez mais das startups. Tomara que o Brasil consiga superar seus problemas logo, porque cada vez mais viveremos em uma economia de startups.

Exame - Quais são as evidências de que isso vai ocorrer?

Glasberg - Se você olhar para as empresas americanas que mais geram crescimento — de empregos, lucro e valor de mercado —, todas são do setor de tecnologia e foram startups um dia.

Exame - Isso pode fazer sentido na Califórnia. O senhor acha que é o mesmo caso nos países emergentes?

Glasberg - Concordo que ainda não se pode falar o mesmo nos países emergentes. Mas essa situação deve mudar. A questão é quais países vão entrar mais cedo nesse jogo. O Brasil tem muito potencial quando se trata de empreendedorismo.

Exame - O Brasil já não está atrasado?

Glasberg - Não podemos dizer que seja tarde demais. Temos de esperar 30 anos e olhar para os resultados daquilo que está sendo feito agora. O que o Brasil está fazendo hoje e o que fará nos próximos anos no setor de tecnologia será decisivo para o futuro de sua economia.

Exame - As empresas americanas já não têm uma posição dominante nessa área?

Glasberg - As oportunidades continuarão aparecendo. Cada país tem demandas específicas que podem ser exploradas por empresas de tecnologia locais.

Exame - Qual foi o desempenho do Brasil no setor de tecnologia na última década? 

Glasberg - O histórico do Brasil não é ruim. Para ter startups de sucesso, um país precisa de duas coisas: investidores de empresas de diferentes tamanhos e empreendedores veteranos dispostos a ensinar os novatos. O Brasil tem os dois. Com a vantagem de que, aqui, os empreendedores costumam pensar desde o primeiro dia em como a empresa vai ter receita.

Exame - Mas por que é tão raro encontrar no Brasil startups que se tornaram grandes empresas?

Glasberg - Exceto no Vale do Silício, você não vai encontrar outros lugares onde haja um número significativo de startups que se tornaram grandes marcas. Não é um problema específico do Brasil. Mas isso vai começar a mudar. Meu objetivo é ser um catalisador dessa mudança.

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