Os labirintos. E as saídas

A revolução nos pagamentos digitais mostra que, se puxar os gatilhos certos, o Brasil tem enorme potencial na década 2020

Enquanto finalizávamos esta edição da EXAME o Brasil seguia preso em seus labirintos. Uma decisão do ministro Edson Fachin devolveu os direitos políticos para o ex-presidente Lula num dia, apenas para poder ser alterada no dia seguinte por uma pauta puxada por outro ministro do Supremo, Gilmar Mendes. Uma nova mostra da velha insegurança jurídica que tanto atravanca o país. No campo político, a possível candidatura de Lula reacende a clivagem eleitoral e tende a dificultar o avanço de pautas mais construtivas. Não que elas sejam a tônica dos últimos anos — pelo contrário. Mas há uma louvável exceção. A atuação do Banco Central tem sido fundamental para uma mudança de patamar do mercado financeiro brasileiro, com uma leva inédita de soluções em pagamentos. É essa revolução o tema de capa desta edição da EXAME. 

Com o avanço do Pix e do open banking, e com a consolidação global do bitcoin e do blockchain, o futuro do dinheiro chegou de chofre durante a pandemia de covid-19. Eis um daqueles exemplos de que o potencial do Brasil é imenso quando os gatilhos corretos são puxados. Outra reportagem desta edição mostra quanto poderíamos avançar em outra frente, a da reforma do Estado. Nas últimas três décadas, o número de servidores públicos brasileiros foi de 4,5 milhões para 12 milhões. O rendimento mensal dos servidores federais é seis vezes o do trabalhador médio — e vem aumentando. A pandemia seria uma ótima oportunidade para cortar privilégios e reduzir o tamanho do Estado. Nunca usamos tantos serviços públicos digitais, afinal de contas. Mas a reforma vem sendo bombardeada até dentro do próprio governo.

Caso abrace as pautas certas e saia do caminho de um mercado empreendedor cada vez mais pujante, o Brasil se credencia a ser um dos dínamos de uma década que pode ser de reconstrução, e de uma prosperidade vista poucas vezes na história. É o que mostra outro texto desta edição, que relembra como as condições atuais são semelhantes às que o mundo viveu no início dos marcantes anos 1920. Foi a década do consumo e da arte de massa, do jazz, do surrea­lismo, do cinema. Agora estamos no início da transformação da inteligência artificial e da energia limpa. Até uma pandemia global é um fator em comum entre as duas décadas. Naquele tempo, a gripe espanhola matou 50 milhões. A covid-19 já fez 2,6 milhões de vítimas fatais — e segue sua marcha. 

Um país preso em seus labirintos perde duas vezes neste momento nefasto: prolonga o sofrimento, e atravanca o progresso.

 

 

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