Revista Exame

O dilema da Alemanha: aumentar sua população ou ver a economia parar

Falta de pessoas pode levar a uma queda acentuada no PIB da maior economia da Europa

Fábrica de chips na Alemanha: país tem falta de trabalhadores em TI (Ens Schkueter/AFP/Getty Images)

Fábrica de chips na Alemanha: país tem falta de trabalhadores em TI (Ens Schkueter/AFP/Getty Images)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 19 de março de 2026 às 06h00.

Última atualização em 19 de março de 2026 às 09h45.

A economia alemã, cujo PIB oscila entre a recessão e quase estabilidade desde 2023, tem vários problemas. Um deles é, simplesmente, a falta de pessoas. Segundo um estudo da Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a população em idade ativa, de 15 a 64 anos, deve cair mais de 8% até 2030, um encolhimento acima da média da entidade e que gera escassez de trabalhadores. “A questão é especialmente severa em áreas como enfermagem, medicina, construção, trabalhos manuais, logística, TI e indústria”, aponta o estudo. 

Uma saída óbvia para a questão é atrair imigrantes. Em 2024, 25,2 milhões de pessoas de origem estrangeira viviam na Alemanha, numa população total de 83 milhões. O país, no entanto, tem optado por dificultar a entrada deles, o que deverá acentuar os desafios na economia. O documento da OCDE estima que o PIB da Alemanha cairia de 3,6% a 5,4% até 2030, a depender do cenário da queda populacional. As projeções do órgão mostram que, caso a imigração anual suba para 630.000 pessoas, os efeitos negativos sobre a economia seriam reduzidos. 

Sem estrangeiros, os alemães mais velhos terão de trabalhar mais. “A população idosa, detentora de experiência acumulada, pode desempenhar um papel relevante na adaptação da economia alemã”, diz José Eustáquio, doutor em demografia pela UFMG. O investimento em automação, robótica e inteligência artificial pode até compensar o declínio do número de trabalhadores, aponta Eustáquio. Mas a rea-lidade demográfica já está às portas da maior economia europeia.  

Acompanhe tudo sobre:1285

Mais de Revista Exame

No auge da empresa, esta CEO vai precisar desacelerar — por um bom motivo

Com a IA, o futuro é semana que vem, diz o estrategista de inovação Neil Redding

Da Venezuela ao Irã, Trump liga o modo ataque e aumenta incerteza global

Crescer nem sempre é escalar