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Israel suspenderá ataques contra instalações de gás do Irã a pedido de Trump no 20º dia da guerra

Em encontro com a premiê do Japão, presidente dos EUA pediu que país asiático pressione Teerã e envie navios ao Estreito de Ormuz diante da alta do petróleo

Benjamin Netanyahu: primeiro-ministro de Israel atendeu ao pedido de Donald Trump de evitar ataques contra instalações de gás do Irã (Oliver Contreras/AFP)

Benjamin Netanyahu: primeiro-ministro de Israel atendeu ao pedido de Donald Trump de evitar ataques contra instalações de gás do Irã (Oliver Contreras/AFP)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 19 de março de 2026 às 20h08.

Última atualização em 19 de março de 2026 às 20h09.

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira, 19, que o país suspenderá novos ataques ao campo de gás de South Pars, no Irã, após pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A declaração ocorre um dia após ofensivas israelenses contra instalações ligadas ao campo de gás, em meio à escalada de tensões na região. Os ataques e as respostas militares contribuíram para a alta nos preços do petróleo ao longo da semana.

O campo de South Pars é uma das principais reservas de gás natural do mundo e possui relevância estratégica para o abastecimento energético global.

O movimento de suspensão dos ataques foi apresentado por Netanyahu como resposta direta a uma solicitação de Trump.

Durante o pronunciamento de Netanyahu, o Irã lançou uma nova onda de mísseis em direção ao país, segundo informações das Forças Armadas de Israel e da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. (Saiba mais abaixo)

O presidente americano também se manifestou sobre o financiamento do conflito. Trump defendeu um pedido de orçamento de US$ 200 bilhões para sustentar a guerra no Irã e afirmou que não pretende enviar tropas ao território iraniano.

A proposta gerou reação no Congresso dos Estados Unidos. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, do Partido Democrata por Nova York, classificou o valor como “absurdo” e “inaceitável”, segundo o Wall Street Journal.

Preocupação com a crise do Petróleo

O pedido de Donald Trump a Israel para não repetir ataques à infraestrutura de gás natural iraniana ocorre em meio à retaliação contra usinas de energia, o que provocou a disparada dos preços da energia, intensificando drasticamente a guerra entre EUA e Israel contra o Irã.

"Eu disse a ele: 'Não faça isso', e ele não fará", declarou Trump repórteres no Salão Oval da Casa Branca, onde se reuniu com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.

Os preços subiram nesta quinta-feira, depois que o Irã respondeu a um ataque israelense a um importante campo de gás atingindo a Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar, que processa cerca de um quinto do gás natural liquefeito do mundo, causando danos que levarão anos para serem reparados, informou a Reuters.

O principal porto da Arábia Saudita no Mar Vermelho, de onde o país conseguiu desviar algumas exportações para evitar o fechamento, pelo Irã, do Estreito de Ormuz, também foi atacado.

O petróleo Brent, referência mundial, encerrou em alta de 1,18%, a US$ 108,65 o barril, depois de ter atingido a máxima de US$ 119,13 durante a madrugada. Já o petróleo WTI, parâmetro nos Estados Unidos, caiu 0,19%, cotado a US$ 96,14.

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12 rajadas de mísseis contra Israel

O Irã lançou nesta quinta-feira uma série de 12 rajadas de mísseis contra diferentes regiões de Israel, ampliando a ofensiva em curso entre os dois países.

Os disparos atingiram áreas no norte, centro e sul de Israel, com a última rajada registrada às 22h42 no horário local, 17h42 em Brasília. Sirenes antiaéreas foram acionadas ao longo do dia em diversas localidades.

Segundo o serviço de emergência Magen David Adom (MDA), os ataques deixaram cinco pessoas com ferimentos leves, causados por estilhaços e fragmentos de vidro.

Entre os armamentos utilizados estavam bombas de fragmentação, conforme informado pelas Forças de Defesa de Israel, as IDF.

A nova ofensiva ocorreu cerca de uma hora após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarar que o Irã, após 20 dias de conflito, “já não tem capacidade para enriquecer urânio nem fabricar mísseis balísticos”.

No mesmo período, o grupo Hezbollah, organização xiita libanesa, intensificou ataques com foguetes e drones contra o norte de Israel.

Um dos projéteis atingiu uma residência em Kiryat Shmona, deixando quatro civis feridos, dois deles em estado grave.

De acordo com autoridades israelenses, o episódio ocorreu por volta das 18h no horário local, 13h em Brasília.

Pressão do Japão e da OTAN sobre o Irã

O presidente Donald Trump pediu na quinta-feira à primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que "intensificasse seus esforços", enquanto pressionava os aliados por mais apoio em relação à guerra com o Irã e ao aumento dos preços do petróleo.

Em encontro na Casa Branca, ele elogiou a líder do aliado mais próximo de Washington no Leste Asiático durante uma reunião no Salão Oval, onde os tópicos esperados de discussão incluíam as tensas relações com a China e os bilhões de dólares que Tóquio está destinando a investimentos nos EUA, favorecidos por Trump.

O presidente republicano pediu mais navios para remover minas e escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz, em grande parte fechado pelo Irã no conflito, apesar de dizer que os EUA não precisam de nenhuma ajuda.

"Espero que o Japão se mobilize porque, sabe, temos esse tipo de relacionamento e nos mobilizamos quando o Japão precisa de ajuda", declarou o republicano. "Não precisamos de muito. Não precisamos de nada. Quer dizer, honestamente, não precisamos de nada do Japão nem de ninguém. Mas acho apropriado que as pessoas se mobilizem."

Balanço de mortes

O conflito acumula 20 dias de confrontos diretos. Em território iraniano, os ataques israelenses já atingiram instalações militares, centros de inteligência e estruturas nucleares. O número de mortos no Irã é estimado em pelo menos 1.230, dado que não é atualizado desde 5 de março.

Em Israel, 15 pessoas morreram desde o início da ofensiva, em 28 de fevereiro. Em território palestino, há registro de quatro mortes relacionadas aos ataques.

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