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Economia colaborativa se dá bem na crise

Para Ricardo Pérez, pesquisador de negócios digitais da IE Business School, o Brasil lidera o crescimento da economia compartilhada na América Latina

São Paulo — O professor Ricardo Pérez, da escola de negócios espanhola IE Business School, é especialista no estudo de novos negócios digitais.

Recentemente ele coordenou uma pesquisa, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, que analisou 107 empresas latino-americanas que trabalham com o modelo de economia compartilhada — aquele em que as empresas usam a tecnologia para ajudar as pessoas a trocar bens ou prestar serviços entre si.

Das iniciativas analisadas, 32% foram fundadas no Brasil, que é o líder na região. Para Pérez, o Brasil é um dos países que têm o maior potencial nesse modelo de negócios. E, veja só, a crise econômica até dá um empurrãozinho.

Exame - O senhor tem estudado o modelo de negócios conhecido como economia compartilhada. Como avalia o desempenho desse setor no Brasil?

Pérez - O Brasil tem obtido uma posição de destaque na América Latina. Em nosso estudo, um terço das empresas de economia compartilhada na região é brasileira. O mercado brasileiro é um dos que têm maior potencial para crescer.

Exame - Por que o Brasil leva vantagem?

Pérez - O maior motivo é o grande mercado consumidor do país e o número de usuários de internet e de smartphone, o que favorece o surgimento dessas empresas.

Exame - Como as empresas brasileiras se diferenciam?

Pérez - A maioria delas costuma seguir o modelo de empresas que fizeram sucesso internacionalmente. É o caso da Voltem, que oferece serviço de aluguel de apartamentos, como o site americano Airbnb. No entanto, algumas empresas novatas atuam em segmentos diferentes, como o de turismo.

Exame - O senhor vê relação entre a crise econômica e o crescimento da economia compartilhada no Brasil?

Pérez - Sim, principalmente porque essas empresas buscam reaproveitar melhor os recursos subutilizados, como carros próprios. A classe média tem procurado esses serviços, e não apenas para economizar. Nesse caso, há também uma preocupação com os impactos do consumo excessivo.

Exame - O que diferencia os fundadores de empresas que trabalham com o modelo compartilhado?

Pérez - Uma característica em comum entre eles é a preocupação com os impactos sociais e ambientais. Ela vem antes da busca por dinheiro ou por mercado.

Exame - Quais são as maiores barreiras que esses empreendedores enfrentam no Brasil?

Pérez - Regulamentação é o maior dos problemas. Muitas empresas oferecem serviços que até então não existiam e não sabem bem quais regras têm de seguir. A expectativa é que os órgãos públicos passem a taxar os novos modelos de negócios com o tempo. Isso já ocorreu com o Uber em algumas cidades brasileiras, por exemplo.

Exame - O senhor acredita que o Uber seja uma boa referência de empresa de economia colaborativa?

Pérez - Existem dois tipos de empresa nesse segmento. Um deles são aquelas empresas que atuam em vários países e facilitam a contratação de um serviço, como o Uber e o Airbnb.

Elas são importantes porque alteram a maneira de fazer negócios em determinadas áreas, como transporte e hospedagem. O outro tipo são as pequenas empresas locais, que trabalham apenas em uma cidade ou em um país, facilitando a troca de bens e serviços entre as pessoas.

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