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Refap, campeã de nascença

Desde que se desvinculou da Petrobras, em 2001, a Refap vem levando todas em seu setor

A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) é um caso raro de empresa que, desde o início, vem sendo a melhor de seu setor. Ela tem apenas dois anos e levou o prêmio nas duas últimas ocasiões.

Localizada em Canoas, na Grande Porto Alegre (RS), a Refap nasceu exatamente em 1o de janeiro de 2001, quando a refinaria se desvinculou da Petrobras, à qual pertencera por mais de 30 anos. O braço argentino do grupo espanhol Repsol passou, então, a ser dono de 30% da empresa. A Petrobras continuou dona do restante. Na época, a Petrobras recebeu como pagamento da Repsol o controle de uma refinaria na Argentina.

"Não nos dávamos conta da dimensão da Refap porque a Petrobras tinha um balanço único", diz Hildo Francisco Henz, presidente da empresa. Num primeiro momento, ninguém sabia sequer se a operação era lucrativa ou não. No ano passado, a análise de MELHORES E MAIORES mostrou que a Refap não só era grande, como eficiente.

Bons indicadores, como riqueza gerada por empregado, liderança no mercado e rentabilidade, deram à empresa condições de ser apontada como a melhor do setor. Neste ano, ao aparecer novamente na mesma colocação, a Refap mostrou que seu bom desempenho não foi apenas uma conseqüência matemática do rearranjo dos números que havia acontecido em seu setor.

"A credibilidade é nossa principal ferramenta de marketing", diz Henz, referindo-se aos distribuidores de combustível do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, os principais clientes da empresa. "Estamos mostrando que somos um fornecedor confiável, em qualquer situação."

De 2002 para 2003 sua receita passou de 1,8 bilhão para 2,1 bilhões de dólares e o lucro no ano passado foi de 127 milhões, o triplo do ano anterior. Esses números reforçados são uma conseqüência direta da alta, de aproximadamente 15%, nos preços internacionais do petróleo em 2003 -- uma vez que os volumes de produção de diesel, gasolina, gás e outros derivados da Refap se mantiveram os mesmos. Agora, a Refap está se preparando justamente para aumentar de tamanho.


Talvez a mudança mais importante na transformação da Refap de estatal em privada tenha sido o investimento de 804 milhões de dólares feito pela nova sociedade. Esse dinheiro está sendo usado para aumentar o volume de refino da companhia. Quando as obras estiverem concluídas, em maio de 2005, a Refap vai acrescentar 70 000 barris diários aos 120 000 produzidos atualmente.

Com tecnologias mais modernas, a empresa deverá também aumentar sua produtividade e rentabilidade. "Uma nova Refap estará em ação", diz Henz. Faz parte dos planos do executivo aumentar a oferta de diesel e exportar 30% do excedente de gasolina, já que não tem havido crescimento da demanda interna.

Como a Refap, a Petrobras também saiu ganhando com a alta do petróleo. A maior empresa brasileira fechou o ano com um lucro recorde de quase 6 bilhões de dólares. Para as indústrias químicas o cenário foi também favorável.

A receita do setor totalizou 45 bilhões de dólares, com crescimento de 21% em relação a 2002. As exportações aumentaram 25% -- só a Argentina importou 4,8 bilhões de dólares. O quadro não alterou, porém, um sério problema que atinge as companhias do setor. "As empresas estão investindo bem menos do que deveriam", diz Guilherme Duque Estrada, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

A situação tem uma agravante: na área de produtos industriais já se vem operando com 82% da capacidade. Se a economia voltar a crescer, a saída será importar, aumentando o déficit comercial da indústria química e petroquímica, que chegou a 6,2 bilhões de dólares no ano passado.

Mas, ainda que abaixo do que seria ideal, novos investimentos estão sendo planejados. De acordo com a Abiquim, até 2008 deverão ser investidos no país cerca de 3,7 bilhões de dólares na construção de novas fábricas e na ampliação da capacidade de produção das indústrias químicas e petroquímicas.


A Petrobras, que desde o início dos anos 90 deixou de ser um acionista de peso em projetos petroquímicos, reservou em seu plano estratégico para os próximos seis anos cerca de 1 bilhão de dólares para investimentos nessa área. Parte dos recursos irá para a Rio Polímeros, em fase final de construção.

A empresa, instalada no Pólo Gás-Químico do Rio de Janeiro, tem como acionistas os grupos Unipar e Suzano, e vai produzir resinas e matéria-prima para filmes e embalagens.

Outro projeto, em fase final de estudo, é a implantação de um pólo gás-químico na fronteira com a Bolívia. O empreendimento, orçado em 1,3 bilhão de dólares, terá a participação da Petrobras, da Copagaz, que atua no engarrafamento e distribuição de gás, e da Braskem, a maior empresa petroquímica do país, controlada pela Odebrecht.

Os investidores do mercado acionário, já animados com os ganhos de eficiência e melhores retornos obtidos desde a formação da empresa, em setembro de 2002, viram esses planos com otimismo. No ano passado, as ações da Braskem alcançaram alta de 507%, bem acima do Índice Bovespa, que ficou em 97,3%.
 

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