Ataque ao Irã: guerra afastou a bolsa brasileira dos 200.000 pontos (Elaheh ASIABI/FARS NEWS AGENCY/AFP/Getty Images)
Diretor de redação da Exame
Publicado em 19 de março de 2026 às 06h00.
Editar uma revista mensal de economia e negócios é uma tarefa que não ficou mais fácil de 2025 para cá. O governo de Donald Trump impôs um ritmo tal de produção de novos eventos potencialmente cataclísmicos que o mundo pode virar de pernas para o ar a cada 30 dias. Há um mês, a EXAME ouviu dezenas de especialistas para cravar nossa chamada de capa de fevereiro: “A bolsa em 200.000 pontos”. A edição foi enviada para a gráfica no dia 23 de fevereiro; no dia seguinte, o índice Ibovespa atingiu seu recorde histórico de 192.623 pontos, consolidando uma alta de 50% em 12 meses. Os 200.000 pontos eram questão de tempo, com algumas casas de análise prevendo 235.000 ainda em 2026. A previsão de cortes de juros nos Estados Unidos e um rebalanceamento de carteiras globais trazia um volume recorde de capitais para o Brasil. Até que Donald Trump e Benjamin Netanyahu atacaram o Irã, em 28 de fevereiro.
Sob um olhar otimista, a marca dos 200.000 pontos ainda é questão de tempo. Só que de mais tempo. O aumento do risco global fez o Ibovespa bater a casa dos 177.000 pontos, num movimento que fez bancos e gestores adiarem novas projeções para o fim de 2026. Ninguém sabe quando termina a guerra nem quais são seus próximos capítulos. O governo iraniano chegou a falar em petróleo a 200 dólares, o que pressupõe um aumento de mais 90% e um recrudescimento do conflito. Analistas se questionam se Trump pode buscar um fato novo para mudar o foco de investidores — como, vá lá, uma invasão a Cuba.
Neste momento pantanoso, a EXAME reforça sua missão de olhar para o longo prazo — e de ter uma atitude prática mas positiva sobre os desdobramentos da política global. Os fatores que permitiam vislumbrar o Ibovespa em 200.000 pontos continuam válidos. Se o governo e as empresas brasileiras fizerem o dever de casa, ainda mais. Por isso, acreditamos que bons exemplos seguirão tendo um enorme poder transformador. A reportagem de capa desta edição é um exemplo. A preocupação com saúde e bem-estar não vai arrefecer. E empresas como a Smart Fit, líder em academias no Brasil, manterão seu agressivo plano de expansão. Os repórteres André Lopes e Júlia Storch passaram as últimas semanas dedicados a entender e a mostrar como a Smart Fit, em 30 anos, virou um gigante com 2.000 unidades em 16 países, numa história de sucesso com poucos precedentes no capitalismo brasileiro.
Agora, o fundador Edgard Corona passa o bastão de CEO para seu filho Diogo Corona, que levará adiante a missão de abrir 1.000 novas unidades. Para chegar lá, a Smart Fit vai precisar superar seus desafios internos e, sobretudo, aprender a lidar com as vicissitudes de um mundo em ebulição. Assim como milhões de outros negócios Brasil adentro. Boa leitura!


