Revista Exame

Inovação e gestão tornam cidades as melhores para se fazer negócios no Brasil

Na 12ª edição do Ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, que mapeia os locais com oportunidades no Brasil, municípios com dinamismo econômico e base produtiva diversificada lideraram os diferentes setores

Rio de Janeiro: grandes eventos e ganhos de infraestrutura urbana impulsionaram a cidade para vencer na categoria Comércio do ranking  (Leandro Fonseca /Exame)

Rio de Janeiro: grandes eventos e ganhos de infraestrutura urbana impulsionaram a cidade para vencer na categoria Comércio do ranking (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h00.

Última atualização em 27 de janeiro de 2026 às 06h06.

Nem sempre o Brasil cresce onde se espera — e quase nunca cresce igual em todo lugar. Mas há sinais claros de onde o país acelera primeiro: cidades com base produtiva diversificada, mão de obra qualificada e um ambiente cada vez mais aberto à inovação e ao empreendedorismo.

É nesses polos que se concentram os melhores indicadores para fazer negócios em 2025, segundo a nova edição do Ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, desenvolvido pela Urban Systems e publicado com exclusividade pela EXAME.

O estudo chega à 12a edição destacando os municípios que apresentaram as melhores condições para fazer negócios em sete setores estratégicos: Indústria, Mercado Imobilário, Comércio, Serviços, Saúde, Educação e Agronegócio.

O que une essas cidades é menos o setor em que atuam do que os fundamentos que sustentam seu dinamismo econômico. Todas apresentam aumento consistente na abertura de empresas, alta participação da População Economicamente Ativa (PEA), crescimento do emprego formal e ganhos em infraestrutura urbana.

É a combinação desses fatores que posiciona municípios como os mais competitivos do país para quem deseja investir.

“Em todos os casos, observa-se um círculo virtuoso em que vários fatores se reforçam mutuamente, criando condições favoráveis para investimentos”, afirma Paulo Takito, sócio da Urban Systems e coordenador do estudo.

Em comum, as cidades vencedoras compartilham taxas elevadas de empreendedorismo, melhorias nos marcos regulatórios e avanços na digitalização de serviços públicos.

A presença de polos educacionais, redes logísticas e ecossistemas empresariais consolidados também contribui para o ciclo de crescimento — em que mais negócios geram mais empregos, que por sua vez geram mais consumo e investimento, segundo Takito.

Em 2025, os municípios mais bem colocados revelam um novo padrão de competitividade econômica no Brasil, com destaque para cidades que aliam gestão pública eficiente, presença empresarial diversificada e foco em inovação.

A lista das vencedoras setoriais — formada por São Paulo (Educação e Saúde), Brasília (Serviços), Rio de Janeiro (Comércio), Belo Horizonte (Construção Civil), Camaçari (Indústria) e Petrolina (Agronegócio) — reflete a força ainda predominante do Sudeste, que concentra quatro das sete campeãs.

Mas também evidencia a emergência de novos polos de desenvolvimento em diferentes regiões do país, em especial no Nordeste e no Centro-Oeste, que ampliam a distribuição das oportunidades econômicas no território nacional.

“Embora atuem em setores distintos, Belo Horizonte, São Paulo, Petrolina, Rio de Janeiro, Brasília e Camaçari compartilham os mesmos pilares de competitividade”, diz. O ranking de 2025 reflete um Brasil mais conectado, produtivo e orientado por dados. Nas próximas páginas, detalhamos os destaques setoriais e as estratégias das cidades líderes.

A metodologia do ranking utiliza o Índice de Qualidade Mercadológica (IQM), desenvolvido pela Urban Systems, que analisa dados públicos e projeções sobre desenvolvimento urbano, infraestrutura, renda e mercado de trabalho.

A análise considera os 326 municípios brasileiros com mais de 100.000 habitantes, responsáveis por mais de 70% do PIB nacional.


AGRONEGÓCIO

Plantação de uva: a produção de frutas em Petrolina impulsiona cadeias complementares, como de embalagens, higienização e logística (Leandro Fonseca /Exame)

A pouco mais de 700 quilômetros do Recife, Petrolina colhe mangas e uvas — e resultados. O município conquistou o primeiro lugar na categoria Agronegócio na edição de 2025 do Ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, levantamento da Urban Systems publicado com exclusividade pela EXAME.

O desempenho reflete o peso da fruticultura irrigada e a capacidade local de transformar produção agrícola em renda, emprego e exportação, afirma Paulo Takito, diretor da consultoria.

“Petrolina se destaca porque é um polo exportador de frutas. No agronegócio, é um produto de maior valor agregado”, afirma Takito.

Segundo ele, ao contrário de culturas altamente mecanizadas, como soja e milho, a produção de frutas exige intensiva mão de obra, impulsionando cadeias complementares, como de embalagens, higienização e logística.

“No segmento das frutas, você colhe com a mão. São milhares de trabalhadores — e falta mão de obra”, diz. Gilmar Secchi, produtor de frutas no município, vive em Petrolina há mais de 30 anos.

Para ele, o diferencial da cidade está no clima e na infraestrutura que o município oferece. “A água é abundante e o solo é bom, o que permite estruturar e investir. A infraestrutura também é um diferencial, com aeroporto e rodovias que nos conectam ao país todo”, afirma.

As frutas colhidas em Petrolina são exportadas principalmente para os Estados Unidos e a União Europeia. Em 2025, a cidade conseguiu reverter parte das tarifas aplicadas pelos EUA, o que ajudou a dinamizar a economia local, afirmou o prefeito Simão Durando (União Brasil).

“Ficamos preocupados, mas conseguimos nos sobressair. O prejuízo maior foi para a população americana, porque aumentaram os preços por lá”, diz.

Segundo o prefeito, estão previstos investimentos de 800 milhões de reais nos próximos anos. O objetivo, diz ele, é investir em mobilidade, creches e escolas nas áreas irrigadas — consideradas estratégicas para o agro local.

“Temos de investir para que a cidade tenha um ambiente favorável para quem vem trabalhar e morar”, afirma.


COMÉRCIO

Na noite de 3 de maio, centenas de milhares de pessoas ocuparam as areias de Copacabana para ver o maior show da carreira de Lady Gaga. Para muitos ali, no entanto, não era a primeira vez nesse tipo de experiência. Um ano antes, em maio de 2024, a cidade recebeu outro megashow gratuito, desta vez de Madonna. Os espetáculos fazem parte de uma estratégia da prefeitura carioca para atrair cada vez mais público à cidade e, assim, movimentar a economia. Um dos setores mais beneficiados pelas ondas de turismo geradas pelos shows é o do comércio. Com isso, a cidade foi eleita a melhor do país para fazer negócios nessa área na edição de 2025 do Ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, levantamento da Urban Systems publicado com exclusividade pela EXAME. “O fluxo turístico da cidade acabou por dinamizar o comércio. O Rio sempre teve uma sazonalidade muito acentuada, com pico no ­Réveillon e no Carnaval”, diz Paulo Takito, diretor da Urban Systems. “O prefeito Eduardo Paes [PSD] dinamizou isso e colocou uma agenda de eventos muito forte no Rio. Com isso, todo o comércio acaba se dinamizando, pois o turista traz muito dinheiro”, afirma. Os planos do Rio, no entanto, vão além. A Cidade Maravilhosa quer se reinventar como polo de tecnologia e inovação, enquanto recupera seu patrimônio histórico. “O que vemos hoje no Rio de Janeiro é uma estratégia deliberada de transformar a cidade: não apenas para receber turistas e grandes eventos, mas para se reinventar como um espaço urbano moderno, diverso e multifuncional, com moradia, tecnologia, cultura, lazer, investimento e oportunidades”, diz Osmar Lima, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro. Entre os principais projetos da cidade estão o Porto Maravalley, para atrair empresas de tecnologia à região portuária; o Rio AI City, que busca atrair data centers; e o Reviver Centro, que dá incentivos fiscais e urbanísticos para a recuperação de prédios ociosos ou degradados, que já emitiu licenças para cerca de 6.000 novas moradias. Em outra iniciativa da prefeitura, foi formado um polo de cervejarias artesanais na Rua da Carioca, buscando reavivar a vocação comercial histórica da região e atrair novos tipos de consumidores.


EDUCAÇÃO

Marginal Pinheiros: a cidade tem mais de 1 milhão de alunos e 80.000 educadores empregados (Leandro Fonseca /Exame)

Com o maior orçamento e infraestrutura educacional do Brasil, São Paulo conquistou o primeiro lugar na categoria Educação na edição de 2025 do Ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, levantamento da Urban Systems publicado com exclusividade pela EXAME. O resultado é explicado pelo tamanho da rede municipal de ensino, com mais de 1 milhão de alunos e 80.000 educadores empregados, no maior mercado de trabalho de Educação do Brasil. “Diferentemente da indústria, que é intensiva em capital físico, o setor de serviços é intensivo em capital humano qualificado”, afirma Paulo Takito, diretor da Urban Systems. Takito ressalta o Orçamento municipal para educação superior a 22 bilhões de reais, mais que o dobro do segundo colocado, o Rio de Janeiro, além de destacar o crescimento de 48% no ensino superior e de pós-graduação na cidade, principalmente com a fusão de setores de Saúde e Educação. “Esse cenário é refletido na fusão entre os setores de saúde e educação, com instituições como o Albert Einstein e o Instituto Pensi [Hospital Sabará] verticalizando o ensino e formando sua própria mão de obra. Com o aumento de cursos especializados e a criação de novos polos educacionais, São Paulo se consolida como um centro de excelência em educação e capacitação profissional”, diz. Ricardo Nunes, prefeito da cidade, destaca que a capital tem investido no desenvolvimento da educação básica e superior, com a criação do programa “A Educação Paulistana Pode +”. “O foco do programa é a construção de escolas sustentáveis e a implementação de melhorias estruturais e pedagógicas, com o objetivo de criar um modelo de educação inovador, sustentável e de qualidade”, afirma Nunes. Entre outras ações, a prefeitura destaca a criação de salas de aula digitais equipadas com computadores, projetores, caixas de som e internet banda larga, além da distribuição de mais de 500.000 tablets para estudantes do ensino fundamental municipal, proporcionando maior autonomia para o aprendizado. Nunes também destaca a parceria com o Liceu Coração de Jesus, que obteve desempenho superior ao da Rede Municipal de Ensino, impulsionando a adoção de novos modelos de ensino. Para aumentar a oferta de equipamentos educacionais, a cidade lançou um edital para construção e manutenção de dez CEUs por meio de parcerias público-privadas (PPPs). Segundo Nunes, isso garantirá mais agilidade e eficiência nos processos de construção e manutenção, além de incorporar práticas de sustentabilidade, como placas fotovoltaicas e reutilização de água. “Esse é um modelo virtuoso e o primeiro a ser adotado no Estado de São Paulo na área da Educação, com o objetivo de priorizar o esforço público no aproveitamento pedagógico dos nossos mais de 1 milhão de alunos”, afirma Nunes.


INDÚSTRIA

Planta da Braskem: com rodovias que conectam a cidade a Salvador e ao Porto de Aratu, Camaçari se destaca pela logística, um diferencial competitivo (Leandro Fonseca /Exame)

Localizada a poucos quilômetros de Salvador, Camaçari se consolidou como um dos principais polos industriais do Brasil, atraindo investimentos e ampliando suas oportunidades de desenvolvimento. O município conquistou o primeiro lugar no setor de Indústria da edição de 2025 do Ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, levantamento da Urban Systems publicado com exclusividade pela EXAME. O resultado reflete a infraestrutura e uma gestão focada em diversificação, o que torna a cidade um ambiente propício para a instalação de grandes indústrias, afirma Paulo Takito, diretor da Urban Systems. A infraestrutura de Camaçari é, sem dúvida, um dos maiores atrativos para investidores, avalia Carlos Henrique Passos, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). Com rodovias que conectam a cidade a Salvador e ao Porto de Aratu, o município se destaca pela logística, um diferencial competitivo, segundo Passos. “A cidade tem uma excelente conectividade rodoviária, além de contar com uma oferta estável de energia. Tudo isso cria um ambiente ideal para a instalação de empresas de alto valor agregado”, afirma. A chegada da BYD, fabricante chinesa de veículos elétricos, exemplifica o valor agregado. A montadora escolheu Camaçari como o local para sua fábrica, um passo importante para o município que se insere no crescente mercado de carros elétricos. “A chegada da BYD é um marco para Camaçari. Além de fortalecer a indústria auto­motiva, ela abre portas para o desenvolvimento de novas cadeias produtivas, como a de autopeças e componentes para veículos elétricos”, afirma Luiz Carlos Caetano (PT), prefeito da cidade. Além da montadora, mais 60 companhias estão em negociação para se instalar na cidade, abrangendo não apenas setores industriais, mas também o setor hoteleiro e de serviços. “Estamos atentos para continuar atraindo novos investimentos, pois esse é o fator que movimenta a cidade”, afirma.


MERCADO IMOBILIÁRIO

Centro de BH: aprovação da Lei do Retrofit facilitou a revitalização da área central (Leandro Fonseca /Exame)

Belo Horizonte passa por trans­formações em sua área central e em suas artérias, que impulsionam o mercado imobiliário. A prefeitura busca ampliar a ocupação residencial dos bairros próximos ao centro, onde há melhor infraestrutura, e faz também obras de peso, como a reforma do Anel Rodoviário, importante via que conecta as rodovias BR-040 e BR-381, e a construção da Linha 2 do Metrô, prevista para ser entregue em 2028. Essas obras aqueceram o mercado de trabalho na construção civil, o que abre espaço para mais negócios, de acordo com a consultoria Urban Systems, que organiza o Ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, divulgado com exclusividade pela EXAME. Com isso, Belo Horizonte foi eleita a vencedora na categoria Construção Civil/Mercado Imobiliário. Ao mesmo tempo, há uma aposta forte do Executivo local na desburocratização e na retomada das áreas centrais. “A primeira coisa que a gente fez foi destravar a cidade. Nós fizemos a campanha ‘BH é a cidade do sim’. Belo Horizonte estava muito presa a dizer não para as pessoas, principalmente a quem queria empreender”, diz Álvaro Damião (União Brasil), prefeito da cidade. Uma das estratégias da prefeitura é aumentar o interesse em bairros próximos ao centro, como Lagoinha, Carlos Prates, Concórdia e Colégio Batista. “Demos isenção de IPTU e ITBI [impostos imobiliários] para a construção nessas áreas. Estamos fazendo as pessoas entenderem que esses bairros têm condições de receber grandes prédios e modalidades novas de empreendimentos”, afirma Damião. A prefeitura também aprovou a Lei do Retrofit para facilitar a revitalização da área central, a mais antiga da cidade. “Com os estímulos ao setor que passam a vigorar a partir de 2026, as oportunidades serão robustas”, diz Flávia Vieira, vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG). Ela também aponta uma forte alta no mercado de luxo, mais concentrado na zona sul. Uma pesquisa da Brain Consultoria mostra que o mercado imobiliário de Belo Horizonte e de Nova Lima, cidade considerada uma extensão da zona sul, subiu 13,6% no terceiro trimestre de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. Já o segmento de luxo e alto luxo avançou 35,1% no mesmo período.


SAÚDE

Um dos maiores números de beneficiários do Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS), com o maior orçamento e infraestrutura médica da América Latina, aliado a investimentos, coloca São Paulo no primeiro lugar na categoria Saúde na edição de 2025 do Ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, levantamento da Urban Systems publicado com exclusividade pela EXAME. A capital paulista registrou no último ano um crescimento de 25% nos atendimentos de urgência e pronto-socorro; uma forte expansão em serviços de psicologia e psicanálise, com alta de 34%; além de avanços em fisioterapia e crescimento robusto em serviços de enfermagem. Terapia ocupacional e fonoaudiologia também apresentaram aumentos significativos. A variedade e a intensidade desses avanços demonstram um ecossistema de saúde diversificado, altamente especializado e apto a receber novos investimentos em clínicas, serviços ambulatoriais, centros diagnósticos, soluções de telemedicina e serviços de cuidado contínuo”, afirma Paulo Takito, diretor da Urban Systems. Takito afirma ainda que a cidade é um “ímã de profissionais, criando uma distorção em relação ao restante do Brasil”. Ele cita que a cidade tem uma das maiores razões de médicos por habitante do país. “Curiosamente, Vitória, no Espírito Santo, frequentemente supera São Paulo na densidade [médicos por 1.000 habitantes], por ser uma capital menor com grande polo universitário, mas a capital paulista lidera em números absolutos e ultraespecialização”, diz.

O prefeito da cidade, Ricardo Nunes (MDB), valoriza o resultado e diz que é fruto da ampliação de parcerias com instituições de referência públicas, privadas e do terceiro setor para qualificar a assistência, fortalecer a infraestrutura e estimular investimentos diretos no município. “Por meio de parcerias desenvolvidas com apoio do BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento], que aportou mais de 600 milhões de reais, a cidade implantou sistemas avançados de gestão contratual, suprimentos e regulação. Isso trouxe eficiência, transparência e previsibilidade, criando um ambiente seguro para empresas atuarem e ampliarem seus investimentos”, afirma.

Entre as parcerias citadas pelo emedebista estão a com o Albert Einstein, Sírio-Libanês, Beneficência Portuguesa, A.C. Camargo, Graac, SPDM, Santa Marcelina e Cejam. Nunes afirma que elas ajudam a qualificar a rede municipal, ampliar serviços, formar profissionais e introduzir novas tecnologias. A cooperação com universidades e centros de pesquisa, como o Hospital das Clínicas, da USP, e o Instituto Jô Clemente, também é valorizada pelo chefe do Executivo municipal. “Com esses avanços, São Paulo se consolida como o maior hub de inovação em saúde do país, unindo governo, universidades, terceiro setor e indústria para transformar serviços, ampliar o acesso e estimular o desenvolvimento econômico baseado em tecnologia e ciência”, afirma.


SERVIÇOS

Brasília: áreas de tecnologia e turismo puxaram o resultado do setor de Serviços na cidade (Leandro Fonseca /Exame)

Tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, oscilações da atividade econômica e problemas estruturais. Muitas cidades sofrem impacto direto de fatores externos e que vão além da alçada de decisões administrativas de gestores estaduais ou municipais. Esse, no entanto, não é o caso de Brasília, que liderou a categoria Serviços da edição de 2025 do Ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, levantamento da Urban Systems publicado com exclusividade pela EXAME. “Brasília exporta muito pouco, vive de serviços e é hiperespecializada nesse ramo. Isso faz com que seja mais resistente a intempéries macro e microeconômicas”, afirma Paulo Takito, diretor da consultoria. Takito diz que a média de grandes capitais é ter cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) ligado ao setor de Serviços, enquanto em Brasília o número salta para 95%. O dado positivo se repete no desenvolvimento econômico: a média de crescimento do setor em 2024 foi de 3% e, na capital do país, o índice ficou em 7%, superando, inclusive, a cidade mais rica do país, São Paulo, que cresceu 6,2%. As áreas de Tecnologia e Turismo foram as que mais se destacaram. De 2023 para cá, por exemplo, o número de startups em Brasília cresceu 33%. No turismo, o aeroporto foi um fator positivo, segundo Takito. “A diversificação de rotas de voos fez com que o volume de passageiros e turistas estrangeiros aumentasse, percentualmente, mais que no Rio de Janeiro. Cresceu 78% o número de estrangeiros, e esse turista indo para Brasília para fazer negócios acaba ficando também para o lazer e estende um pouco a estadia”, diz. O presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, destaca a excelência de Brasília em serviços e diz que a parceria entre os setores público e privado foi essencial. Ele dá um exemplo de medida que beneficiou o setor: “Em 2023, após tratativas intensas com o Legislativo e o Executivo local, foram liberadas cerca de 300 novas atividades, incluindo faculdades, creches e instituições de ensino técnico”. Segundo Freire, Brasília tem vocação para o ramo de serviços. “Em um território onde o setor terciário é maioria, forma-se, de maneira natural, um ambiente de negócios voltado à excelência em serviços”, afirma.


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