Festival de Cinema de Cannes: três filmes que devem marcar a edição

A Riviera Francesa volta a receber os convidados do festival mais charmoso do cinema. Confira três filmes que devem marcar esta edição
Anne Hathaway em Armageddon Time: semibiografia do diretor James Gray (Divulgação/Divulgação)
Anne Hathaway em Armageddon Time: semibiografia do diretor James Gray (Divulgação/Divulgação)
Por Matheus DoliveiraPublicado em 19/05/2022 06:00 | Última atualização em 18/05/2022 18:03Tempo de Leitura: 5 min de leitura

As ruas do balneário da Riviera Francesa, que dá nome ao festival de cinema mais charmoso do mundo, ficarão movimentadas nos próximos dias. Entre 17 e 28 de maio, Cannes será palco de diversas estreias cinematográficas e premiações, entre elas a Palma de Ouro. No ano passado, o filme que levou a honraria máxima foi o polêmico Titane, que conta a história violenta de uma dançarina sexualmente obcecada por carros. Dirigido pela francesa Julia Ducournau, segunda mulher na história a levar a cobiçada premiação, o filme gerou mal-estar e crises nervosas em alguns espectadores.

Nesta 75a edição da mostra, outro terror psicológico concorre ao prêmio principal. Crimes of the Future, de David Cronenberg, mostra uma sociedade distópica em que a evolução dos corpos humanos passa a ser feita de maneira artificial. Ao todo, Cannes exibirá 50 filmes, sendo que 18 concorrem ao prêmio principal e alguns farão sua grande estreia, como é o caso da cinebiografia Elvis, que traz Tom Hanks e Austin Butler no elenco. Confira três filmes que devem marcar esta edição.

Crimes of the Future

Antes de fazer sua estreia oficial nos cinemas em junho, Crimes of the Future promete chacoalhar Cannes ainda neste mês. Dirigido por David Cronenberg (Crash), o filme de terror psicológico indicado à Palma de Ouro é um dos favoritos à honraria máxima do festival. A obra mergulha em um futuro distópico em que a evolução dos corpos humanos deixa de ser biológica e passa a ser sintética. No elenco, o longa-metragem traz nomes de peso, como Kristen Stewart (Spencer), Léa Seydoux (007 — Sem Tempo para Morrer) e Viggo Mortensen (Green Book: o Guia).

Armageddon Time

O vencedor do Oscar de Melhor Ator pelo filme Meu Pai, Anthony Hop­kins, e o ganhador do Emmy por sua atuação como o bilionário Kendall Roy na série Succession, Jeremy Strong, serão os astros de Arma­geddon Time, novo filme de James Gray (Era uma Vez em Nova York). A história com coprodução do brasileiro Rodrigo Teixeira (Me Chame Pelo Seu Nome) e participação de Anne Hathaway será uma espécie de semibiografia de Gray ambientada na Nova York dos anos 1980. O diretor do filme colocará na tela as experiên­cias mais marcantes que viveu na Kew-Forest School, que teve entre os alunos o ex-presidente americano Donald Trump.

Elvis

Com direção e roteiro assinados por Baz Luhrmann (Moulin Rouge), a cinebiografia sobre a primeira estrela do rock de todos os tempos, Elvis Presley, não concorre à Palma de Ouro, mas terá sua première com toda a pompa em Cannes. Nos cinemas brasileiros, o filme chega no dia 14 de junho. A narrativa vaiexplorar a vida e a obra de Elvis, vivido por Austin Butler, e os conflitos entre o artista e seu empresário controlador Tom Parker, encenado por Tom Hanks.

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Música

Cantar até o fim 

(Divulgação/Divulgação)

Apenas dois dias antes de sua morte, Elza Soares soltava sua rouca voz em um microfone. Aos 91 anos, a artista gravava no Theatro Municipal de São Paulo Meu Guri, o último projeto de sua carreira. O lançamento do álbum e do DVD não poderia ter sido mais simbólico, no dia 13 de maio, data que marca a abolição da escravatura no país. Do material ainda foi lançado um clipe, gravado na sala onde também é exibida na exposição Contramemória, até 5 de junho.

Elza ao Vivo no Municipal |  Gravadora Deck e Natura Musical | Disponível nas plataformas digitais


Literatura

Curadoria da elite 

(Divulgação/Divulgação)

Ideal para devorar em um fim de semana, com tons de ironia, melancolia e comicidade, o livro Os Coadjuvantes, da carioca Clara Drummond, descreve o Brasil dos privilégios e as fissuras de gerações compulsivas por imagem e status. A personagem Vivian Noronha, no auge de sua crise dos 30 anos, é uma curadora de arte que questiona as condições sociais do país e de seus pares enquanto transita por ambientes elitizados e expõe e ridiculariza o universo artístico.

Os Coadjuvantes, Clara Drummond | Companhia das Letras | 54,90 reais


Cultura

UM NOVO LUGAR DE FALA

A escritora Djamila Ribeiro lança instituto antirracista com biblioteca, cursos e atendimento psicológico

Djamila Ribeiro: extensão de um sonho (Rodrigo Trevisan/Divulgação)

Quase como uma extensão da coleção editorial Feminismos Plurais, que já conta com mais de 12 publicações, e de sua plataforma de streaming de conteúdos de educação antirracista e feminista, a filósofa e escritora Djamila Ribeiro inaugurou no começo do mês o instituto chamado também Feminismos Plurais, no bairro de Moema, São Paulo. “Ter um espaço físico é a concretização de um sonho e a união de todos esses trabalhos que fazemos”, diz.

O instituto, que conta com biblioteca, cursos, workshops de formação filosófica, jurídica e empresarial, atendimento psicológico, encaminhamento odontológico e terapias como práticas artísticas, respiratórias e meditações, tem relação com o início da carreira de Ribeiro.

Foi na Biblioteca Carolina Maria de Jesus, na Casa de Cultura da Mulher Negra, em Santos, que a filósofa teve o primeiro contato com um novo universo de autoras, como a própria Carolina de Jesus. Anos depois, o resultado está aí: um mais do que necessário local de acolhimento à população negra, em especial as mulheres.  

Espaço Feminismos Plurais | Alameda Tupiniquins, 343, Moema, São Paulo | De segunda a sexta, das 9 às 17 horas; sábados, das 10 às 15 horas