Ursula von der Leyen, Roberta Metsola e Mark Carney: premiê canadense se encontrou com lideranças da União Europeia em meio ao estreitamento das relações com o bloco (Ahmet Sel/Anadolu/Getty Images)
Repórter
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 06h00.
Por décadas, a “bússola” que guia o comércio do Canadá apontou praticamente para uma única direção: o sul. O comércio com os Estados Unidos, principal parceiro ainda hoje, representa um pilar importante da economia canadense, com um fluxo que ultrapassou a marca de 917 bilhões de dólares em bens e serviços recentemente.
Agora, diante da troca de ameaças tarifárias entre Donald Trump e Mark Carney, Ottawa está recalculando a rota e olhando para outras parcerias. Um dos movimentos recentes e que chamou a atenção do mundo foi a aproximação com a União Europeia.
O bloco convidou o Canadá para ser um membro associado, uma classificação que até então não existia. Sem citar exemplos, a líder Ursula von der Leyen afirmou que a UE precisa repensar alianças diante de um mundo “abertamente hostil”.
José Pimenta, do Insper Agro Global, afirma que o Canadá é um player fundamental no comércio, “sobretudo de commodities”. Ele diz, no entanto, que essa não é uma transição rápida. “Isso não se faz do dia para a noite, não é fácil, porque cadeias produtivas com os Estados Unidos estão muito interligadas”, afirma Pimenta.
A movimentação canadense se intensificou muito desde o início do novo governo Trump. O país fechou diversos acordos comerciais e abriu negociações importantes com China, Índia, Coreia do Sul e México (veja o quadro), numa agenda que prevê 600 bilhões de dólares de exportações além do vizinho na próxima década.
Nessa busca por novos parceiros, Ottawa também mira o Brasil e o Mercosul. Um acordo com o bloco pode sair até o fim de 2026. “Essas cadeias produtivas podem ter alguma sinergia, e é o momento de explorar essas sinergias para diminuir a dependência com os Estados Unidos”, diz Pimenta.