A dor que transforma: autoras trazem livros sobre preconceito

Obras nacionais e internacionais trazem narrativas ficcionais e autobiográficas sobre racismo e transfobia, imigrantes e refugiados
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Julia StorchPublicado em 29/07/2021 às 06:00.

Quatro anos atrás a autora ganesa Yaa Gyasi venceu o Prêmio Hemingway, do Pen Clube dos Estados Unidos, na categoria Melhor Livro de Estreia, com O Caminho de Casa. A obra figura na lista dos melhores do ano do The New York Times desde o lançamento. Agora chega pela editora Rocco o livro Reino Transcendente.

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Com fatos semelhantes aos vividos pela autora, como a imigração de Gana aos Estados Unidos, a personagem Gifty se prepara para o doutorado em neurociência na Universidade Stanford — ofício que Gyasi acompanhou ao lado de uma amiga, como pesquisa para o livro.

Ainda que tenha uma carreira promissora à vista, a vida pessoal de Gifty é marcada por desafios com os quais costumam se defrontar os emigrantes africanos radicados no ambiente racista do Sul dos Estados Unidos, como é o caso da autora, criada nos estados do Alabama e Tennessee.

Reino Transcendente retrata a história de uma família em busca do sonho americano. Fugindo da miséria e dos conflitos armados em sua terra natal, os personagens enfrentam agora racismo, depressão e vício no novo país.

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A narrativa escrita ao longo de 12 anos traz a guerra, a violência, a memória e o sofrimento do povo palestino. No verão de 1949, no escaldante deserto do Neguev, enquanto 700.000 palestinos eram expulsos de suas terras por soldados israelenses, uma adolescente era capturada e violentada.

Anos mais tarde, uma mulher em Ramallah, na Palestina, é absorvida pelos mistérios desse fato, que coincidentemente ocorreu no mesmo dia e mês, 25 anos após seu nascimento.

Em entrevista à revista Bomb, a autora comentou que sua preocupação com a Palestina “é pessoal, e não literária”. E que seus escritos sobre o estado palestino se referem a uma condição de injustiça, da normalização da dor e degradação. 

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No Brasil, país que registra um assassinato de travesti ou transexual a cada 48 horas, a violência contra esse grupo precisa ser exposta e debatida. O exemplo pode vir da Argentina, com a autora Camila Sosa Villada. Em O Parque das Irmãs Magníficas, a escritora, uma das principais vozes trans latino-americanas, apresenta um romance autobiográfico que homenageia um período de acolhimento com travestis em Córdoba.

A violência também ocorreu dentro de sua casa. Ao começar a se travestir na adolescência, seu pai lhe disse que seu único destino seria a prostituição. Ao contrário do agouro do pai, a proteção das travestis na zona vermelha do Parque Sarmiento lhe trouxe um novo propósito de vida. 

 

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A filósofa e escritora Djamila Ribeiro publicou O que É Lugar de Fala? em 2017. De lá para cá, a autora soma mais de 500.000 exemplares vendidos com outros títulos, como Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (2018) e Pequeno Ma­nual Antirracista (2019), todos pela Companhia das Letras.

Neste mês, a autora lança Cartas para Minha Avó, dedicado à sua avó Antônia, em que revisita sua infância e adolescência para discutir temas como ancestralidade negra e os desafios de criar filhos numa sociedade racista.

Em mais de 30 cartas, a autora revela também a trajetória de Antônia e seus conhecimentos com ervas curativas e suas práticas como benzedeira.