'Copinha': Filme foi escolhido pelo público como o melhor longa-metragem da 16ª edição do festival de cinema de futebol. (Reprodução / Patizeiro Filmes)
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Publicado em 14 de agosto de 2026 às 11h34.
O futebol de base do Amapá ganhou espaço no cinema. "Copinha", primeiro longa-metragem dirigido por Joaquim Salles, conquistou o prêmio principal da 16ª edição do Cinefoot, Festival de Cinema de Futebol. A premiação reconheceu o documentário como melhor longa-metragem do evento.
A vitória coloca em evidência uma produção que acompanha jogadores jovens longe dos grandes centros do futebol brasileiro. O filme observa a preparação e a participação do Esporte Clube Macapá na Copa São Paulo de Futebol Júnior, conhecida como Copinha.
"Copinha" acompanha a primeira participação do Esporte Clube Macapá no tradicional torneio sub-20. Entre os protagonistas estão Dayveson e Jeremias, jovens jogadores do Amapá que enxergam a competição como uma oportunidade de chamar a atenção de clubes e olheiros.
A presença na Copinha muda a dimensão da exposição dos atletas. As partidas são transmitidas nacionalmente e acompanhadas por empresários e observadores ligados a grandes equipes, criando uma possibilidade concreta de projeção para jogadores que costumam permanecer distantes dos principais mercados do futebol.
O time é comandado pelo português Miguel Seruca, que chegou ao Amapá em busca de talentos pouco observados pelo futebol brasileiro. A aposta do treinador está justamente em utilizar a competição como uma vitrine para esses jovens.
O documentário adota uma abordagem observacional para mostrar a rotina dos jogadores e as dificuldades enfrentadas pela equipe. Um dos principais obstáculos está na diferença de investimento entre o Macapá e seus adversários na competição.
O filme também amplia o olhar para questões que cercam a vida dos atletas. Masculinidade, religião e a busca por reconhecimento nas redes sociais aparecem entre os temas abordados pela produção.
Com 77 minutos de duração, "Copinha" foi produzido por Joaquim Salles e Raphael Bottino, pela Patizeiro Filmes, em coprodução com a Tornado Filmes. O longa teve sua estreia mundial na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2025.
"Tem muito talento no Amapá, só que não são vistos. Esse filme tenta trazer um pouco de visibilidade para uma região do país que tem muito talento, mas que não tem muita atenção de olheiros e times grandes", disse Salles à página Fazendo Aparte.
Salles é filho do documentarista João Moreira Salles, que também mantém uma relação próxima com o futebol, como torcedor do Botafogo e diretor da série documental "Futebol" (1998). Joaquim é ainda sobrinho do cineasta Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional por "Ainda Estou Aqui".
Antes da premiação no Cinefoot, "Copinha" já havia integrado a competição Novos Diretores da 49ª Mostra de São Paulo, disputando o Troféu Bandeira Paulista ao lado de outras 11 produções.
O Cinefoot chegou à 16ª edição em 2026 com uma programação de 75 filmes de futebol produzidos em dez países. O festival foi realizado entre 6 e 11 de agosto, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Veja todos os filmes premiados:
Melhor longa-metragem
"Copinha", de Joaquim Salles (Brasil);
Prata – 2º lugar em longa-metragem
"BuenosAires", de Tuca Siqueira (Brasil);
Bronze – 3º lugar em longa-metragem
"Kenny Dalglish", de Asif Kapadia (Reino Unido);
Melhor curta-metragem
"Camisa 9", de Guilherme Baptista (Brasil);
Prata – 2º lugar em curta-metragem
"Memória de Pivette", de Pedro Santi (Brasil);
Bronze – 3º lugar em curta-metragem
"Offside", de Sina Rajabi (Irã);
Troféu João Saldanha
"Coligay", de Guto Franco e Murilo Megale (Brasil);
Troféu Museu da Pelada
"Várzea", de D’Andrade (Brasil).