Múmias mais antigas do mundo emergem no deserto de Atacama

Corpos embalsamados, de 7 mil anos, são mais antigos do que os encontrados no Egito; cabeças ganhavam perucas e rostos eram moldados com argila
Múmias encontradas no deserto de Atacama têm 7 mil anos (divulgação/Divulgação)
Múmias encontradas no deserto de Atacama têm 7 mil anos (divulgação/Divulgação)
Carla Aranha
Carla Aranha

Publicado em 14/08/2021 às 16:15.

Última atualização em 16/08/2021 às 08:49.

O processo de mumificação não começou no Egito e é muito mais antigo do que pensa – corpos embalsamados encontrados no Chile, no deserto de Atacama, provam que há pelo menos 7.000 anos os seres humanos já realizavam processos complexos para preservar os mortos. Depois de vários testes, as múmias chilenas, consideradas pelo menos dois milênios mais velhas do que as egípcias, foram reconhecidas internacionalmente e alçadas à condição de patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

“A entidade validou em nível mundial, por meio de diversos especialistas, que os assentamentos humanos e a mumificação da cultura Chinchorro (no Chile) possuem valor excepcional e importância global”, disse o antropólogo chileno Bernardo Arriaza, autor do livro “Cultura Chinchorro: Las momias más antiguas del mundo” (Editora Editorial Universitaria de Chile) e diretor do Centro Chinchorro da Universidade de Tarapacá, em Arica, no Chile.

Até agora, mais de 300 múmias foram identificadas. Todas foram descobertas em uma mesma região, habitada pelo povo Chinchorro, que praticava a caça e a pesca. “Os corpos eram finamente preparados por especialistas e pode-se notar a sutileza e criatividade dessa população ancestral”, diz Arriaza.

O processo de mumificação era feito em etapas. Primeiro, os órgãos eram substituídos por produtos como penas, lã e couro. Depois, era aplicada uma peruca sobre o crânio e o rosto era moldado. Por fim, o corpo todo era coberto por uma camada de argila --  o rosto recebia uma atenção especial.

No início, apenas recém-nascidos e crianças eram mumificados. Por volta de 3.000 a.C, a prática se estendeu para outras faixas etárias. O clima árido de Atacama ajudou a preservar as múmias, que ficaram protegidas durante milênios – cerca de 120 foram transferidas ao Museu Arqueológico de San Miguel de Azapa, no Chile, e parte delas se encontra em exposição.

 

“A cultura Chinchorro considerava as múmias como parte do mundo dos vivos, o que explica por que deixavam os olhos e a boca abertos", explica a Universidade de Tarapacá. Resta saber, no entanto, o que levou o antigo povo do deserto de Atacama a desenvolver técnicas de embalsamento.