A trajetória de Semenzato: de vendedor de coxinhas ao IPO da Espaçolaser

Em entrevista à EXAME, o fundador da SMZTO Holding e jurado do Shark Tank Brasil contou sobre o sonho de chegar à bolsa e dos planos para o futuro dos negócios

O empresário José Carlos Semenzato, da holding de franquias SMZTO, concluiu um sonho antigo: ter uma empresa listada na bolsa de valores. Na última semana, quando uma de suas investidas, a rede de depilação Espaçolaser, abriu capital na B3, levantando 2,64 bilhões de reais, o empresário chegou ao patamar que desejou por tanto tempo, mas garante que é só o começo de uma nova trajetória. “Foi a nossa estreia em um novo palco, mas muitos outros sucessos virão. Temos pelo menos duas ou três empresas com perspectivas gigantes de serem as próximas a participar do processo”, afirma.

Semenzato ganhou projeção nacional em 2019, ao aceitar ser um dos jurados do popular reality show Shark Tank Brasil, mas sua trajetória no empreendedorismo começou muito antes. Ainda criança, vendia coxinhas nas ruas da cidade de Lins, no interior de São Paulo, e depois foi trabalhar em uma papelaria. Hoje, conta com orgulho as histórias de como se empenhava para poder ajudar a família. “Fui o melhor vendedor de coxinha e o melhor copiador de Xerox que Lins já viu”, diz. O seu esforço foi recompensado com uma oportunidade que mudou sua trajetória: um cliente o convidou para estudar programação e trabalhar em uma construtora da cidade.

A experiência como programador permitiu que ele desse aulas de computação para estudantes do ensino técnico de Lins. Ambicioso, em 1990, com 23 anos, decidiu deixar o cargo de professor para fundar sua própria escola de cursos profissionalizantes, a Microlins. Impulsionada pelo boom dos computadores, a rede rapidamente cresceu e chegou a 17 unidades próprias. Em 1995, Semenzato descobriu o franchising como uma saída para expandir o negócio.

Ao longo dos anos 2000, a rede continuou a prosperar, chegando a quase 700 unidades, o que acendeu no empresário o sonho de abrir capital na bolsa. "Em 2007, era mais importante para mim ter uma companhia listada do que um evento de liquidez", afirma Semenzato. Durante três anos, ele estudou formas de chegar à bolsa e se entristeceu ao perceber que a empresa não teria musculatura suficiente naquele momento. Em 2010, então, quando recebeu uma proposta do Grupo Multi, decidiu que era hora de vender a companhia. "A partir dali, comecei uma jornada bem diferente de empreendedorismo", afirma. A transação foi estimada em 110 milhões de reais na época.

"Midas das franquias"

Com capital no bolso, Semenzato fundou a SMZTO no mesmo ano, já de olho em criar novas redes de franquias de sucesso. Com isso, o objetivo de fazer um IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês) se dissipou: a meta do empresário passou a ser o crescimento rápido das novas empresas. Dez anos depois, ele acredita ter sido bem-sucedido. As duas primeiras investidas da holding, Instituto Embelleze e OdontoCompany, estão hoje com 350 e 1.750 unidades, respectivamente.

Sua experiência como um “midas do franchising” atraiu outros empreendedores. Em 2015, foi procurado pelos fundadores da Espaçolaser — Ygor Moura, Paulo Morais e Tito Pinto — para ajudar a rede de 35 lojas a se estruturar como franqueadora. Semenzato aceitou entrar no negócio e trouxe com ele a apresentadora Xuxa Meneghel, com quem já tinha sociedade na rede de espaços de eventos Casa X. “A Xuxa se tornou o rosto do negócio e, com o seu ‘canhão de mídia’, atraiu 28.000 possíveis franqueados nos primeiros três meses”, afirma o empresário. No primeiro ano da sociedade, 110 franquias foram vendidas — hoje, a rede tem 554 unidades e levantou 2,64 bilhões de reais no IPO para continuar sua expansão.

A partir de 2015, a SMZTO mudou sua estratégia. Por influência do filho, Bruno Semenzato, que hoje preside a companhia, a holding decidiu investir em negócios um pouco maiores, para acelerar a velocidade de crescimento da empresa. Até então, Semenzato entrava em pequenas empresas "sem gastar um real", usando sua experiência como moeda de troca. De 2015 em diante, ele precisou colocar a mão no bolso para comprar participação em empresas maiores, que já estivessem prontas para um plano agressivo de expansão. De lá para cá, investiu na rede de implantes Oral Sin, na rede de açaí Oak Berry e na escola de gastronomia Instituto Gourmet.

Segundo Semenzato, foi a aposta em redes de diferentes tipos de negócio que garantiu que a holding crescesse mesmo durante a pandemia. Só as empresas dos setores mais afetados, como  alimentação e educação, precisaram de mais atenção. Os restaurantes focaram na abertura de "dark kitchens", cozinhas que atendem somente o delivery, enquanto as escolas migraram seu ensino para o digital, assegurando a continuidade das aulas. Somando todas as investidas, o número de unidades abertas passou de 1.850 no final de 2019 para 2.300 no final de 2020. O faturamento somado das marcas foi de 3,3 bilhões de reais, 40% a mais que no ano anterior.

Para 2021, as metas são agressivas: chegar a 3.300 unidades e faturamento total das redes de 4,5 bilhões de reais. “Vai ser um ano desafiador, mas melhor que 2020, porque temos alguma previsibilidade com a chegada da vacina”, diz o empresário. Outros IPOs não estão nos planos de Semenzato para 2021 ou 2022, mas já começam a ser estruturados para acontecer daqui a três ou cinco anos. “Precisamos estruturar processos e fazer investimentos desde já para um dia realizarmos o grande sonho. Para uma empresa abrir capital, ela precisa passar por uma sabatina de auditores e fundos de investimentos. No final, receber essa chancela é um prêmio, algo que coroa todos os acionistas que direta ou indiretamente participaram dessa jornada”, diz. 

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