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Como foi o primeiro voo no país a compensar 100% da emissão de carbono

Voo da Gol entre Recife e Fernando de Noronha nesta quarta-feira foi o primeiro a ter emissões compensadas pela própria companhia aérea

Voo da Gol em Fernando de Noronha: companhia aérea anunciou a meta de neutralizar as emissões de dióxido de carbono até 2050 (Gabriel Aguiar/Exame)
GA

Gabriel Aguiar

Publicado em 1 de setembro de 2021 às 16h00.

Última atualização em 3 de setembro de 2021 às 10h55.

A companhia aérea Gol inaugurou nesta quarta-feira, 1º de setembro, a primeira rota carbono neutro do Brasil, ligando os aeroportos de Recife e Fernando de Noronha, em Pernambuco.

A iniciativa é feita numa parceria da Gol com a Moss, uma plataforma para compensação de créditos de carbono sediada em São Paulo. Nas contas da Moss, só a medida pode reduzir em até 25% as emissões de carbono do arquipélago, um dos principais destinos turísticos do país.

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Mais da metade do carbono emitido na região vem do fluxo de aviões. Segundo a Gol, a cada ida e volta despeja pouco mais de 14 toneladas de dióxido de carbono.

O voo desta quarta-feira, de pouco mais de 1 hora, é o primeiro com compensação custeada pela própria companhia aérea. Até então, os passageiros da Gol podiam compensar as emissões de carbono gerada pelos aviões de uma maneira voluntária –e por uma taxa extra.Agora, a ideia é que os voos para a ilha tenham compensação total das emissões de carbono.

Como funciona a compensação de carbono

Para neutralizar a pegada de carbono da operação, a Moss emite o MCO2, um token lastreado com blockchain a créditos de carbono, um ativo imaterial equivalente a 1 tonelada de CO2retida por meio de projetos para conservação de florestas, biomassa e energia limpa. Neste caso, o dinheiro é enviado a projetos certificados com atuação na Floresta Amazônica.

De acordo com a Moss, foram transacionados 70 milhões de reais para a proteção da Amazônia desde 2020, quando foi criada. Esse valor foi suficiente para preservar cerca de 500 milhões de árvores na região.

No caso das viagens a Fernando de Noronha, a compensação de carbono é feita automaticamente pela Gol. Mas a companhia aérea oferece essa opção aos passageiros com cobrança à parte, semelhante a outros serviços, como reserva de assento e bagagem extra (disponíveis por site, aplicativo, agências e programa de milhas).

De acordo com a Gol, o investimento na neutralidade de CO2joga luz em outro ponto: diminuir os impactos da aviação nas mudanças climáticas é uma responsabilidade compartilhada não apenas das companhias aéreas, mas também de todos os passageiros que utilizam esse tipo de transporte.

O arquipélago de Fernando de Noronha quer ser carbono zero até 2030 (Gabriel Aguiar/Exame)

Projeto de descarbonização da Gol

A companhia aérea anunciou a meta de neutralizar as emissões de dióxido de carbono até 2050. Para isso, além de compensar o CO2com créditos (como na iniciativa da Moss), investe na eficiência das operações, na criação de biocombustíveis para a aviação e na renovação da frota.

“Nós temos monitorado e reportado voluntariamente as emissões desde 2010. Buscamos aperfeiçoar nossos procedimentos e adotar tecnologias que contribuam para a redução dos impactos", diz Pedro Scorza, assessor de projetos ambientais e comandante da Gol. "Créditos de carbono são uma solução importante e transitória para a indústria, mas não a única.”

Para ter ideia do impacto individual de viagens com avião nas emissões de gases causadores do efeito estufa, no trecho de Congonhas, em São Paulo, até o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, cada passageiro emite cerca de 34 quilos de carbono –que sai a cerca de 10 reais para compensação.

Fernando de Noronha será carbono zero até 2030

Em agosto de 2022, será proibida a entrada de qualquer veículo que emita dióxido de carbono –ou seja, movidos a diesel, etanol ou gasolina. Depois de oito anos, em 2030, todos os modelos equipados com motores a combustão serão retirados da ilha e, após isso, só poderão circular carros elétricos.

Primeiro voo "carbono zero" do país foi a bordo do Boeing 737-NG, família mais moderna da aeronave e que reduz a pegada de CO2quando comparada à geração anterior (Gabriel Aguiar/Exame)

Como foi o voo carbono neutro da Gol

EXAME participou da inauguração do primeiro trecho livre de emissões de carbono no Brasil, a bordo do Boeing 737-NG, família mais moderna da aeronave e que reduz a pegada de CO2quando comparada à geração anterior. E, além de água em lata (plásticos são proibidos na ilha), há um certificado da compensação.

“O maior favorecido pela iniciativa é a própria ilha. Enquanto não operamos com os combustíveis sustentáveis, a compensação automática de CO2em trechos voados é grande aliada para minimizar impactos ambientais”, diz Pedro Scorza, piloto do voo inaugural e assessor de projetos ambientais.

Mesmo assim, com exceção desses pequenos detalhes, é pouco provável que os passageiros menos atentos reconheçam diferenças em relação a qualquer outra rota comercial da Gol –o que inclui conexão WiFi a bordo, cobrada à parte, e entretenimento por meio do navegador do smartphone.

Passageiros do voo da Gol receberam água em lata (plásticos são proibidos na ilha), além de um certificado da compensação de carbono, emitido pela climate tech Moss (Gabriel Aguiar/Exame)

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