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Volvo e Geely divergem em perspectivas para a China

Debate entre discrição ou luxo vem causando rusgas na administração da Volvo Car, sob propriedade chinesa desde 2010


	Logotipo da Volvo: choque de culturas entre a gestão europeia da Volvo e o Zhejiang Geely Holding Group , proprietário da marca, pode ter implicações mais amplas no mercado corporativo chinês
 (Bob Strong/Reuters)

Logotipo da Volvo: choque de culturas entre a gestão europeia da Volvo e o Zhejiang Geely Holding Group , proprietário da marca, pode ter implicações mais amplas no mercado corporativo chinês (Bob Strong/Reuters)

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Da Redação

Publicado em 10 de setembro de 2013 às 14h47.

São Paulo - Sólida, segura e discreta de uma maneira sueca, ou uma marca de luxo voltada ao gosto dos chineses por ostentação: esse é o debate que vem causando rusgas na administração da Volvo Car, sob propriedade chinesa desde 2010.

Um choque de culturas entre a gestão europeia da Volvo e o Zhejiang Geely Holding Group , proprietário da marca, pode ter implicações mais amplas no mercado corporativo chinês. Se a Geely prevalecer na reorientação da Volvo para o mercado premium da China, isso poderia traçar um curso para outras empresas chinesas com ambições globais.

O Volvo Concept Coupé, que será apresentado nesta terça-feira no salão do automóvel de Frankfurt, é um sinal de que o controle chinês quer deixar a imagem sóbria da Volvo e elevar as vendas de forma significativa, roubando a participação de mercado de marcas de luxo já estabelecidas, como BMW, Mercedez-Bens, da Daimler e Audi.

De acordo com quatro pessoas próximas à Volvo e à Geely, o bilionário proprietário chinês da companhia, Li Shufu, acredita que a China, onde mais de 1,2 milhão de carros de luxo foram vendidos no ano passado, é a chave para o futuro da Volvo, e deve ajudar a montadora a atingir a meta de dobrar as vendas globais anuais para 800.000 veículos em 2020.

Em agosto, as vendas da Volvo China cresceram dois terços para 4.319 carros na comparação anual. Já as vendas de janeiro a agosto subiram 40 por cento, para 37.661 carros.

Para atingir seu alvo, Li, que é presidente do conselho da Geely e da Volvo, quer que a montadora sueca lance um sedã premium de grande porte destinado aos novos ricos da China que reforçam seu status social com carros de luxo alemães, como o Audi A8 e os sedãs da Série 7 da BMW.


Já os gestores da Volvo não estão interessados. Hakan Samuelsson, presidente-executivo desde o ano passado, acredita que é um risco muito grande para a Volvo abandonar um nicho cultivado ao longo de décadas, com foco na segurança e discrição escandinava, para enfrentar as montadoras de luxo alemãs.

"A Volvo nunca vai competir nesse segmento, no qual os clientes estão esperando para ter motores V12 ou V8. Volvos são carros de 4 e 6 cilindros", disse ele a repórteres em junho, em uma abertura de fábrica na cidade de Chengdu, no sudoeste da China.

Enquanto Li apregoa publicamente o progresso que as duas empresas fizeram na modernização tecnológica da Volvo, duas pessoas próximas a ele disseram que o empresário ainda está tentando convencer Samuelsson a competir com o Audi A8, com um modelo mais luxuoso e maior, que ele chama de S100.

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