(VOLL/Divulgação)
Exame Brand Solutions
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 07h25.
Quanto a empresa gastou com passagens aéreas no último trimestre? Quais áreas mais compraram fora da política de viagens? Os funcionários estão reservando voos com antecedência suficiente? E qual foi o impacto disso no preço médio das passagens?
Até pouco tempo, responder a perguntas como essas significava abrir dashboards, aplicar filtros, cruzar relatórios e, em alguns casos, recorrer à área responsável pelos dados. A inteligência artificial começa a mudar esse caminho: em vez de procurar a informação, o usuário pode simplesmente perguntar.
É essa possibilidade que a VOLL, maior agência de viagens corporativas digital da América Latina, traz aos seus clientes. A empresa desenvolveu uma conexão que permite consultar informações de viagens e despesas por meio de ferramentas de IA como ChatGPT, Claude e Gemini.
A tecnologia utiliza o Model Context Protocol (MCP), um padrão aberto que permite conectar modelos de inteligência artificial a sistemas e bancos de dados externos. Na prática, o MCP funciona como uma ponte entre a IA e as informações da empresa.
Com a integração, o gestor pode perguntar quanto a companhia gastou com passagens em determinado período, comparar o comportamento de diferentes áreas ou verificar se a antecedência das compras teve relação com o preço pago, por exemplo. Também pode solicitar uma representação gráfica da evolução das despesas.
A tecnologia não cria uma base de dados para abastecer a IA. A proposta é permitir que o modelo consulte informações que já existem nos sistemas corporativos, respeitando as permissões definidas pelas empresas a cada usuário.
O mesmo princípio pode ser aplicado a outras plataformas utilizadas pelas empresas, como sistemas de gestão empresarial (ERP) e de relacionamento com clientes (CRM). Dessa forma, dados de viagens podem ser analisados junto com informações de outras áreas.
“Não estamos criando uma nova camada de dados para alimentar a inteligência artificial. Estamos tornando acessível, dentro de um ambiente conversacional, aquilo que a empresa já possui”, diz Lucas Machado, CTO da VOLL.
A mudança, portanto, está menos no dado em si do que na maneira de acessá-lo. Uma informação que antes exigia uma busca em diferentes telas passa a poder ser obtida a partir de uma pergunta feita em linguagem natural.
A ferramenta está sendo validada com clientes estratégicos da VOLL. O trabalho inclui testes técnicos e de segurança, além da definição das regras de negócio que devem orientar as respostas da IA.
A etapa também considera diferenças entre as empresas, como operações em vários países, uso de moedas distintas e estruturas corporativas mais complexas. Segundo a VOLL, os resultados dos testes serão usados para ajustar a tecnologia e definir novos casos de uso.
Um dos principais desafios está no controle sobre os dados. A integração mantém as permissões já existentes na plataforma. Assim, um funcionário não poderá consultar pela IA uma informação à qual não teria acesso diretamente no sistema.
A VOLL afirma ainda que o agente de IA funciona na infraestrutura do próprio cliente e que, por isso, a empresa não tem acesso às perguntas feitas pelos usuários. Segundo a companhia, os dados dos clientes também não são utilizados para treinar ou aprimorar modelos de inteligência artificial.
A possibilidade de fazer perguntas aos sistemas corporativos traz uma questão adicional: até onde cada usuário pode ir.
Por isso, a integração à plataforma de viagens da VOLL via MCP foi desenhada para manter as regras de acesso já adotadas pelas empresas. A interface muda, mas as permissões continuam as mesmas.
Para Machado, esse controle é parte central da adoção da tecnologia. “Conectar um sistema corporativo a uma IA não pode significar abrir mão do controle sobre o dado”, afirma.
A mudança pode parecer simples, mas altera a relação do gestor com a informação. Em vez de navegar por diferentes relatórios para descobrir quanto a empresa gastou ou como os funcionários estão comprando passagens, a consulta começa agora com uma simples pergunta. E, sim, a viagem até a resposta ficou mais curta.