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Transição verde: como a agência de fomento à exportação da Itália quer incentivar a agenda no Brasil

Apresentada na COP-28, a iniciativa faz parte da nova empreitada do órgão para impulsionar a cadeia de negócios verdes do país europeu

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Alessandra Ricci, da Sace: "A exportação de equipamentos verdes cresce o dobro da taxa dos produtos tradicionais" (Sace/Divulgação)

Alessandra Ricci, da Sace: "A exportação de equipamentos verdes cresce o dobro da taxa dos produtos tradicionais" (Sace/Divulgação)

Com uma agenda similar à realizada pela Apex, a agência de fomento à exportação Sace tem o papel de estímulo à relação entre empresas italianas e companhias ao redor do globo para gerar negócios e aumentar as exportações do país europeu. Agora, tem sob análise 1,1 bilhão de euros em novos projetos de empresas brasileiras para acelerar a transição verde por aqui.

A movimentação faz parte da nova empreitada da organização para responder aos desafios climáticos e impulsionar a cadeia de negócios verdes da Itália. O lançamento do projeto acompanha a evolução das empresas italianas em produzir equipamentos e soluções sustentáveis, um movimento mais representativo nos últimos dois anos.

Dos 626 bilhões de euros exportados pelo país globalmente, 70 bilhões vêm das venda de produtos que endereçam a transição verde. Os produtos estão relacionados a tecnologias para a geração de energia solar, eólica, equipamentos agrícolas e ainda inovações que acelerem mudanças em setores como o petrolífero e siderúrgico. 

“A exportação de equipamentos verdes cresce o dobro da taxa dos produtos tradicionais”, afirma Alessandra Ricci, diretora executiva da Sace em entrevista exclusiva à EXAME. Nos últimos anos, a Itália investiu mais de 12 bilhões de euros para incentivar as empresas, principalmente pequenas e médias, no desenvolvimento de equipamentos verdes.

A executiva esteve no Brasil nesta semana para participar de um evento com empresários locais e apresentar as perspectivas do novo produto. Segundo Ricci, o programa não tem um valor teto de investimento e a agência procura outras companhias com planos de fazer a transição verde.        

A instituição vê o Brasil como um dos 10 principais destinos para as exportações italianas e pretende ampliar a venda dos produtos, principalmente neste momento de transição energética e do novo PAC do governo, com critérios ESG.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística da Itália (ISTAT),  as exportações italianas para o país devem atingir 5,1 bilhões de euros neste ano, um valor que supera o recorde obtido em 2013. 

Como funciona o modelo da Sace  

Criada há mais de 40 anos e ligada ao ministério de Economia e Finanças, a agência soma mais de 170 bilhões de euros em apoio a transações comerciais globalmente e tem uma base de mais de 40.000 empresas italianas, em sua maioria pequenas e médias. 

Um importante diferencial no escopo da agência é o seu papel para facilitar o acesso ao crédito para o financiamento de projetos de companhias interessadas em fazer negócios com a Itália. 

Uma vez que o plano de investimentos de determinada empresa é selecionado, a Sace entra como garantidora de 80% perante os bancos. No fim do dia, o modelo, apoiado pela governo italiano, significa taxas de juros menores e prazos mais dilatados para pagamento. 

Desde 2009, a Sace mantém um escritório no Brasil, localizado em São Paulo, e vem ampliando as ações para que o fluxo de  produtos italianos desembarquem por aqui aumente cada vez mais. 

Nos últimos 10 anos, a agência mais do que dobrou o apoio às transações de exportação entre os dois países. Os valores saíram de 1,3 bilhão para 3 bilhões de euros.

No Brasil, o órgão já apoiou projetos de empresas como Raízen, Braskem, Nexa, Vale e JBS. No programa de exportação de produtos tradicionais, os itens mais demandados vieram para atender demandas de infraestrutura e petroquímicas.

Como funciona o projeto para apoiar a transição verde

Com a crescente demanda por negócios sustentáveis, a agência estruturou um programa, o Green Push, ao longo deste ano para auxiliar empresas que pretendem mudar a chave. O objetivo é de encontrar grandes empresas que têm interesse em desenvolver uma agenda verde, ajudar na conexão com empresas italianas e na construção da linha de financiamento.   

O projeto foi apresentado recentemente na COP-28, Dubai, nos Emirados Árabes. Dias depois, a Sace anunciou a Raízen como a primeira empresa da América Latina a ser escolhida. 

A brasileira obteve um empréstimo, garantido pela agência, no valor de 300 milhões de euros, proveniente de um pool de bancos liderados pelo BNP Paribas. Os recursos serão usados para investimentos em energia verde e renovável. Esse valor não está incluído pipeline de 1,1 bilhão de euros.  

O capital veio após uma intensa agenda de encontros com empresas italianas, potenciais fornecedoras de equipamentos para a implementação da estratégia. Ou seja, ao mesmo tempo que contribui para que as empresas estrangeiras acessem os seus investimentos, a agência pode ampliar as vendas para fora.

“Não há compromisso em termos de valores que as empresas devem importar da Itália. Normalmente, o que existe é um compromisso de participar dos eventos de matchmaking”, afirma Ricci. 

Os "eventos" são encontros organizados pela agência para apresentar empresários e negócios italianos a grandes companhias brasileiras. 

“As empresas italianas têm de apresentar as suas ofertas comerciais e devem competir no mercado. Não podemos obrigar ninguém a comprar da Itália porque somos nós que financiamos”. 

Há, no entanto, um incentivo para as empresas comprarem de fornecedores italianos. A depender dos volumes importados, a companhia pode ter descontos na taxa de juros. “Não há obrigação de comprar, mas há incentivo para aumentar o nível”, diz. 

Segundo as estimativas da agência, essa agenda verde pode significar um incremento de 4,5% nas exportações de produtos italianos ao Brasil em 2024.

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