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Stellantis quer produzir híbrido no Brasil e lançará nova marca no país

Empresa pretende lançar 16 novos modelos de veículos e mais sete elétricos e híbridos na América Latina até 2025, para impulsionar as marcas francesas Peugeot e Citroën

 (Gonzalo Fuentes/Reuters)

(Gonzalo Fuentes/Reuters)

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Reuters

4 de março de 2022, 17h32

A Stellantis está estudando eventual produção e venda no Brasil de um veículo híbrido, movido a eletricidade e etanol, até 2025 e planeja o lançamento para este ano de uma nova marca do grupo no país, afirmou o presidente da companhia para América do Sul, Antonio Filosa, nesta sexta-feira.

O executivo afirmou que a empresa pretende lançar 16 novos modelos de veículos e mais sete elétricos e híbridos na região até 2025, para impulsionar as marcas francesas Peugeot e Citroën sem perder de vista a liderança de mercado obtida com Fiat e Jeep.

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"Estamos trabalhando para isso... ainda não temos um cronograma definido para chegada ao mercado [do modelo híbrido a etanol no Brasil], mas poderia não ser tão longe assim... Lá para 2025, se tudo der certo, a gente poderia começar a propor esse tipo de tecnologia", disse Filosa ao ser questionado sobre eventual lançamento em 2026.

"O etanol é muito relevante no Brasil e menos em outros países da América Latina, mas começa a ganhar relevância em outros países, como a Índia", disse o executivo, frisando que o desenvolvimento do híbrido a etanol se daria primeiro focando o mercado brasileiro.

Filosa afirmou que a Stellantis prepara o lançamento de uma nova marca para a região atualmente o grupo trabalha com sete marcas de veículos na América do Sul mas ele não confirmou se seria a Alfa Romeo, de modelos de luxo.

"Vocês vão saber este ano ainda. Começa com "A", mas não é Alfa Romeo", brincou o executivo. No portfólio de marcas da Stellantis, a outra marca que tem a letra "A" como inicial é a italiana Abarth, de preparação de veículos para alto desempenho.

Segundo ele, em 2021, a Stellantis teve um lucro operacional (Ebitda) ajustado de € 882 milhões na América do Sul, após break even em 2020. A receita na região somou € 10,7 bilhões, de um total faturado no mundo de € 152 bilhões.

O grupo encerou fevereiro com uma participação de mercado no Brasil de 39,9%, equivalente a uma venda de 80.675 veículos e a um ganho de 5,4 pontos percentuais sobre 2021. O país não é o maior mercado para a Stellantis, mas é o local onde a empresa tem a maior fatia de mercado no mundo.

Filosa afirmou que se mantém "otimista" sobre o mercado brasileiro, esperando crescimento para 2022, mas preferiu não cravar um número, diante das incertezas envolvendo a crise de oferta de componentes para produção de veículos, eventuais novas ondas de covid-19 e, mais recentemente, a guerra na Ucrânia.

Em dezembro, o executivo estimou que as vendas de veículos leves no país deveriam subir 10% neste ano. A associação de montadoras, Anfavea, estimou em janeiro alta de cerca de 8%.

Por conta da guerra, que segundo Filosa tende a inflacionar os já elevados preços de commodities, e das incertezas sobre a cadeia de suprimentos, a redução de 25% no imposto sobre produtos industrializados (IPI) anunciada pelo governo federal na semana passada deve servir mais para segurar a alta dos preços dos veículos neste ano.

Em janeiro, por exemplo, contratos de fornecimento de aço para o setor automotivo tiveram seus preços reajustados em 60% pelas siderúrgicas locais.

"A redução [do IPI] chegou num momento muito bom", disse ele. "Vai ajudar a recuperar volumes de vendas no médio e no longo prazo... Mas, no curto prazo, é mais provável que isso ajude a compensar o que seria um aumento maior dos preços [dos veículos]", disse o executivo.

Questionado sobre se a redução do IPI poderia impulsionar as vendas, ele afirmou que atualmente "as vendas dependem da produção e a produção depende das cadeias de valor [de autopeças] que ainda não estão regulares", disse Filosa. "Neste momento, não está faltando cliente".

No primeiro bimestre, as vendas de veículos novos no Brasil despencaram 24,4% ante mesmo período de 2021, pressionadas por um tombo de 22,7% em fevereiro, segundo dados de associação de concessionários, Fenabrave.

Sobre o comportamento das vendas de veículos em outros mercados da América do Sul em 2022, Filosa afirmou que espera que a Argentina fique "mais ou menos estável" e que o Chile e demais países deverão "crescer um pouco mais" que o Brasil.