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Apresentado por AFYA

Por que a saúde climática entrou na agenda de riscos das empresas?

Calor extremo e enchentes pressionam serviços de saúde e ampliam riscos operacionais; Semana do Clima da Amazônia levou o tema ao centro dos debates sobre prevenção e adaptação na Amazônia

Saúde climática: eventos extremos afetam produtividade, custos e continuidade operacional, sobretudo na Amazônia.  (AFYA/Divulgação)

Saúde climática: eventos extremos afetam produtividade, custos e continuidade operacional, sobretudo na Amazônia. (AFYA/Divulgação)

EXAME Solutions
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Publicado em 7 de julho de 2026 às 16h09.

Ondas de calor, enchentes e mudanças no regime das chuvas já afetam a saúde da população brasileira e começam a produzir impactos diretos sobre a produtividade, os custos e a continuidade das empresas. Na Amazônia, onde os eventos extremos se somam às longas distâncias e às dificuldades de acesso aos serviços públicos, esses efeitos aparecem com maior intensidade.

O tema esteve entre os debates da II Semana do Clima da Amazônia, realizada em Belém, primeiro encontro climático após a COP30. A programação reuniu organizações públicas, privadas e da sociedade civil para discutir medidas de adaptação e desenvolvimento sustentável para a região.

Durante a programação, a Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, promoveu atividades de educação em saúde voltadas a traduzir esses efeitos para a população. As iniciativas abordaram desde doenças transmitidas por mosquitos e impactos do calor extremo até ansiedade climática, alimentação e formas de adaptação.

As ações serviram como ponto de partida para uma discussão que ultrapassa o campo ambiental. Embora a crise climática ainda seja tratada por parte do setor privado como uma questão reputacional ou ligada apenas às metas de sustentabilidade, seus efeitos já chegam às empresas por meio de afastamentos, perda de produtividade, interrupção de serviços e aumento dos custos operacionais.

Segundo dados do relatório “Observatório Lancet de Saúde e Mudança Climática”, de 2014 a 2023, foram perdidas, anualmente, 6,2 bilhões de horas de trabalho no Brasil devido à exposição ao calor, um aumento de 3% em comparação com o período de 1991 a 1999. Isso equivale a uma perda potencial de renda de US$ 19,64 milhões por ano devido à diminuição da mão de obra. No Brasil, um estudo recente da Fiocruz revelou que, entre os anos de 2000 e 2019, as ondas de calor causaram mais de 120 mil mortes no país.

“Por isso, as empresas precisam incorporar a saúde climática à estratégia do negócio, ao planejamento de riscos, à agenda ESG e à gestão de pessoas. A empresa que entende essa agenda com antecedência protege vidas, reduz custos evitáveis e fortalece sua capacidade de operar em um mundo mais instável”, afirma Gustavo Meirelles, vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya.

Os efeitos chegam aos serviços de saúde

Os impactos que reduzem a capacidade de trabalho e ampliam os afastamentos também aumentam a pressão sobre os serviços de saúde. Na rotina dos atendimentos, porém, a mudança do clima nem sempre aparece identificada como a origem do problema.

Seus efeitos surgem como crises de asma, falta de ar, tosse persistente, desidratação, tontura, pressão descompensada, diarreia e suspeitas de doenças como dengue, malária e leptospirose.

O aumento das temperaturas e as alterações no padrão de chuvas também modificam a sazonalidade, a distribuição geográfica e a intensidade de doenças já conhecidas. Entre elas estão dengue, chikungunya, zika, malária, leishmaniose e enfermidades transmitidas pela água, além do agravamento de problemas cardiovasculares, respiratórios e renais.

Na região amazônica, esses riscos se sobrepõem às dificuldades de transporte e à desigualdade de acesso ao atendimento. Populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas, rurais e periféricas também estão mais expostas à interrupção de consultas e tratamentos durante cheias, secas e queimadas.

“Uma orientação de saúde que funciona em uma capital pode não funcionar da mesma forma em uma comunidade ribeirinha, em uma ilha, em uma área rural ou em uma periferia urbana. Por isso, viver melhor em um clima em mudança exige ciência, mas também escuta comunitária”, afirma Wanderson Gonçalves, professor da Afya Abaetetuba e doutor em Oncologia e Ciências Médicas.

A fumaça proveniente das queimadas, por exemplo, pode agravar doenças cardiorrespiratórias, enquanto o calor aumenta o risco de desidratação, exaustão térmica e complicações renais e cardiovasculares.

Educação e prevenção

Durante a II Semana do Clima da Amazônia, a Afya organizou o ciclo de rodas de conversa “ABC do Clima e Saúde”, que abordou doenças transmitidas por mosquitos, ansiedade climática, alimentação e medidas de adaptação.

A empresa também promoveu a aula pública “História, Saúde e Clima”, que reuniu cerca de 200 pessoas e percorreu espaços históricos pelas ruas de Belém para discutir como a ocupação urbana e as condições ambientais influenciaram a saúde pública na capital paraense.

ABC do Clima e Saúde: evento reuniu cerca de 50 participantes e debateu saúde, prevenção e adaptação aos eventos extremos. (AFYA/Divulgação)

As ações ilustram uma das frentes consideradas necessárias para enfrentar o problema: preparar profissionais e comunidades antes das emergências. A atuação da Afya inclui a relação entre clima, ambiente e saúde na formação de futuros médicos, além do desenvolvimento de capacitações para agentes comunitários e materiais sobre os efeitos do calor e do frio extremos.

“O médico que vai atuar nas próximas décadas precisa compreender que clima, território, ambiente, renda, moradia, alimentação e acesso à água fazem parte do raciocínio clínico. A agenda de clima e saúde não pode ficar restrita a eventos pontuais; ela precisa atravessar a formação, a educação permanente e a prática assistencial”, diz Meirelles.

História, saúde e clima: além de um historiador, a aula pública foi ministrada por um médico cardiologista. (AFYA/Divulgação)

Para as empresas, a adaptação exige incorporar a saúde climática ao planejamento de riscos. Isso inclui mapear trabalhadores e territórios mais expostos, criar protocolos para calor, fumaça e enchentes, adaptar jornadas e ambientes de trabalho e preparar planos de continuidade.

A resposta, portanto, não se limita à redução de emissões ou à comunicação de metas ambientais. Ela envolve proteger trabalhadores, antecipar interrupções e reduzir custos que já começam a aparecer nas operações.

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